Dilma quer renovação do futebol para encher estádios depois da Copa

Presidente defendeu que País deixe de ser apenas um exportador de jogadores para times estrangeiros

iG Minas Gerais | FOLHAPRESS |

Dilma se encontrou com Blatter
Roberto Stuckert Filho/PR
Dilma se encontrou com Blatter

A presidente Dilma Rousseff defendeu, em entrevista à rede de TV CNN, a "renovação" do futebol brasileiro, que deve, segundo ela, parar de ser apenas um exportador de jogadores para times estrangeiros.

Depois da derrota da seleção brasileira diante da Alemanha, no Mineirão, na terça-feira (8), ela descartou que as arenas construídas para Copa do Mundo resultaram em gastos dispendiosos, mas disse crer que manter os jogadores nos torneios nacionais ajudará a encher os estádios.

"Quando eu falei antes que o futebol brasileiro deve ser renovado, o que eu quis dizer é que o Brasil não pode mais ser apenas exportador de jogadores. Exportar jogadores significa que estamos abrindo mão de nossa principal atração, que pode ajudar a lotar os estádios", disse.

"Até porque, qual é a maior atração que os estádios no Brasil podem oferecer? Deixar a torcida ver os craques. Há anos, muitos jogadores brasileiros têm ido jogar fora, então renovar o futebol no Brasil depende da iniciativa de um país que é tão apaixonado por futebol", continuou.

Questionada se o país vendido como a sede da Copa do Mundo é diferente do Brasil real - onde as pessoas estão nas ruas pedindo mais educação e infraestrutura - e se a derrota da seleção poderá impactar na avaliação da população às vésperas das eleições presidenciais, disse que "esse Brasil que estão descrevendo não tem nada a ver com o Brasil real".

"O Brasil real é um Brasil que, de 2003 até hoje, tirou 36 milhões da pobreza, levou à classe média 42 milhões de pessoas. Quarenta e dois milhões de pessoas, para a gente colocar uma dimensão, equivale à Argentina (...). Essas pessoas que chegaram à classe média querem, de fato, melhor educação e melhor saúde. Nós estamos nos esforçando imensamente para esse processo".

Dilma disse não acreditar que o humor dos brasileiros ao final da Copa do Mundo pode impactar o humor nacional prolongadamente. Nessa mesma entrevista, cuja primeira parte foi transmitida na quarta-feira (9) pela CNN International, Dilma disse compartilhar da dor dos torcedores, mas tentou dissipar o pessimismo resultante da partida.

A candidata e os estrategistas de sua campanha tentam avaliar o impacto, na campanha eleitoral, do vexame em campo. E discutem como reagir a ele.

Para minimizar esse efeito negativo, Dilma e seus auxiliares buscaram, logo depois da derrota, fazer manifestações de apoio à equipe brasileira. "Não podemos ficar crucificando nossos jogadores", diz um assessor presidencial.

Além disso, a estratégia palaciana será seguir mostrando que a Copa, na visão do governo, foi, sim, um sucesso. O fracasso aventado pela oposição na logística da Copa não aconteceu. O evento ganhou apoio da população e dos torcedores estrangeiros.

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