Rimas que viram sonhos

iG Minas Gerais |

Ilustração Acir Galvão
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Continuo achando que deveríamos sonhar mais. Ligar a TV e encarar as notícias trágicas do noticiário com a leveza da novela das sete. Exibir no “Vale a Pena Ver de Novo” só as tramas de audiência, nada de sensacionalismo periguete.

Continuo acreditando que o mundo foi feito para sonharmos mais. Ter o poder de transformar aquela sobremesa dos deuses em uma pessoa só para poder abraçá-la. Tirar a gordura e o colesterol ruim do mundo, se lambuzar com a vida sem neuras ao apreciá-la.

Continuo visualizando um mundo de sonhos ao meu redor. Rezar para que os momentos em família sejam uma constante. Amar cada dia mais e dizer todo dia: “Só consigo pensar em você a todo instante”.

Continuo tendo a sensação de que um sonho a mais não faz mal a ninguém. Ler livros em vez de falar mal de alguém. Usar mais advérbios superlativos, e esquecer alguns outros, como pior, menos, aquém.  

Tem uma música do Caetano Veloso que se chama “Sonhos”. Ele, todo apaixonado, poetiza que, quando finalmente viu um grande amor chegar, como sempre sonhou um dia – quando tinha mais pureza, mais carinho, mais calma, mais alegria –, a amada veio lhe falar de uma paixão inesperada por outra pessoa, foi um banho de água fria.

Mesmo assim, Caetano balburdia: “Mas não tem revolta não Eu só quero que você se encontre Saudade até que é bom É melhor que caminhar vazio A esperança é um dom Que eu tenho em mim, eu tenho sim Não tem desespero não Você me ensinou milhões de coisas Tenho um sonho em minhas mãos Amanhã será um novo dia Certamente eu vou ser mais feliz”.

 

Feliz daquele que recebe uma notícia dessas e consegue sair por cima. Ver um sonho se desmoronar, e se preparar para pintar uma nova obra-prima.

Feliz daquele que recebe uma facada nas costas e segue em frente, radiante. Faz de si o personagem principal, o protagonista do final feliz, nunca o coadjuvante.

Feliz daquele que diz que é melhor caminhar no vazio, que ter saudade é bom e, ainda assim, não perde a esperança. É se restabelecer para se ter segurança, focar em atos de perseverança e, acima de tudo, fazer moradia na autoconfiança.

São muitos os motivos que me fazem ser como o Caetano e continuar a sonhar. Sou professor dos meus atos, mestre dos meus desejos, doutor do meu infinito. Minha imaginação segue como a do Bobby, brigo por uma vida mais doce, luto por um mundo mais bonito.

São outros os motivos que, em tempos de desespero, me fazem dizer como duas amigas lindas: “Sempre que choveu, parou!”. É como está gravado no pescoço do camisa 10 da seleção: “Tudo passa”. Joelhada certeira, e a Copa acabou.

São muitos outros motivos que me deixam acreditar que a vida sem sonhos é uma mulher da vida, uma meretriz. Caetano, ajuda-me a não me cegar, a não me calar: “Amanhã será um novo dia. Certamente eu vou ser mais feliz”.

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