Entre produtos nacionais e importados pro futuro

No cenário atual, nenhum professor tupiniquim deixa os torcedores seguros, e os estrangeiros ganham força em discussões

iG Minas Gerais | Gabriel Pazini* |

Arte. Guardiola prioriza com os atletas o jogo bonito nas equipes que comanda
Steffen Schmidt/AP – 7.1.2013
Arte. Guardiola prioriza com os atletas o jogo bonito nas equipes que comanda

Felipão não é o único culpado, mas é um dos responsáveis pela maior vergonha da história do futebol brasileiro. Além de uma reestruturação geral fora e dentro de campo, é necessária a mudança de treinador, fato que reabre a discussão sobre um técnico de fora do Brasil comandando a seleção canarinho. No cenário atual, nenhum professor tupiniquim deixa os torcedores seguros, e os estrangeiros ganham força em discussões.  

Os contrários a essa ideia alegam que nunca um técnico estrangeiro foi campeão nacional no Brasil, mas a verdade é que uma transformação vital para o futebol tupiniquim, que ajudou o escrete canarinho a ser o que é hoje, veio com produto importado do futebol europeu.

A revolução tática aliada à excelência técnica que marcou a histórica Hungria nos anos 50 teve Béla Guttmann como um de seus criadores. O treinador, que é tido como um dos melhores da história, foi um dos responsáveis pela transformação do esquema WM no 4-2-4, sistema no qual os centroavantes voltavam ao meio-campo e confundiam a marcação dos jogadores adversários, enquanto os laterais ganhavam mais espaço.

Guttmann foi técnico do Honvéd, equipe que tinha Puskás e era a base da Máquina Húngara, e comandou o time em uma excursão no Brasil. Depois, em 1957, ele assumiu a comissão técnica do São Paulo e foi o responsável por introduzir a revolução tática do 4-2-4 no futebol brasileiro. Ele conquistou o Campeonato Paulista e ficou no clube até 1958. Seu auxiliar era Vicente Feola, que absorveu seus conhecimentos e levou o esquema tático à seleção brasileira, quando assumiu o time em maio de 1958. Assim como na Hungria, a união da excelência técnica de Pelé, Garrincha, Didi e outros craques com a revolução tática fez do Brasil um time extraordinário. Ali começou a hegemonia tupiniquim, com três títulos da Copa do Mundo conquistadas em quatro disputadas entre os anos dourados de 1958 e 1970 e a mudança de patamar do futebol brasileiro no cenário internacional.

Agora, 56 anos depois, pode ter chegado a hora de o futebol brasileiro ser comandado por um treinador estrangeiro e passar por uma nova e necessária revolução tática. O vexame brasileiro não pode ter sido em vão.

Preferência na web O SuperFC realizou uma enquete nessa quarta para saber dos internautas quem eles querem ver no comando da seleção brasileira diante da provável saída de Luiz Felipe Scolari. Entre oito opções, um espanhol foi o preferido com folga. Guardiola – 35% Marcelo Oliveira – 16% Cuca – 15% Jorge Sampaoli – 12% José Mourinho – 7% Tite – 7% Muricy Ramalho – 6% Luxemburgo – 2%

Sonhos gringos Pep Guardiola O espanhol levou o Barcelona a grandes conquistas. Hoje, deu nova cara ao Bayern, base da seleção da Alemanha. José Mourinho O português tem gênio forte, mas sabe dar padrão de jogo aos seus times como poucos. Tem grandes títulos na carreira. Jorge Sampaoli O argentino montou um time forte com o Chile e é um ótimo estudioso dos adversários.

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