Uma estreia com Mozart

Sinfônica de Minas Gerais estreia segunda temporada da série Sinfônica no Museu com obras do período clássico

iG Minas Gerais | Vinícius Lacerda |

Espaço. Pela segunda vez este ano, a orquestra faz apresentação dentro do Museu Inimá de Paula
Paulo Lacerda - Fundação Clóv
Espaço. Pela segunda vez este ano, a orquestra faz apresentação dentro do Museu Inimá de Paula

Há 33 anos o trompista Sérgio Mendes entrava para a Orquestra Sinfônica de Minas Gerais (OSMG). Durante esse período, ele conquistou não só admiração dos colegas, mas também o respeito do maestro regente e da coordenação do grupo, que o chamaram para assumir o posto de maestro assistente no início desse ano.

De la para cá, Mendes já participou de alguns ensaios e marcou presença em concertos como regente. Mas será na segunda temporada da série Sinfônica no Museu, que acontece hoje e amanhã, no Museu Inimá de Paula, que o músico, pela primeira vez, guiará a orquestra por todo o espetáculo. “Estou muito satisfeito com este novo papel, pois é sempre bom sair da zona de conforto. E acho que a equipe tem recebido muito bem meu trabalho”, avalia.

O clima harmonioso entre os integrantes da OSMG em relação à nova liderança será um ponto a favor para execução das obras de Mozart (1756-1791) “Sinfonia nº 41 em Dó Maior” e “Concertante em Mi Bemol Maior, para Violino, Viola e Orquestra”, que, assim como todas obras do compositor austríaco, são concebidas sobre as pilastras da beleza e da complexidade. “Não tem jeito de tocar Mozart mal tocado, porque é um tipo de música muito transparente, na qual todos os acordes são muito importantes. Daí, qualquer falha é perceptível”, diz Mendes.

Sem temer a própria premissa e levando em consideração o espaço – segundo Mendes, não é possível executar obras do período romântico no Museu, por exemplo, pois estas exigem maior quantidade de músicos e uma acústica diferente do local –, Mendes escolheu a “Sinfonia nº 41”, a última feita por Mozart e a que “coroa todo seu trabalho”, segundo o maestro.

Peças. Nomeada pelo maestro Jonhan Peter Salomon (1745-1815) como “Júpiter”, a “Sinfonia nº 41 em Dó Maior” tem duração aproximada de 35 minutos e mostra a perfeição com que Mozart utilizou o contraponto – técnica para execução de melodias distintas ao mesmo tempo. “A obra representa o diálogo entre o período clássico e o barroco e também aponta elementos sonoros que só seriam utilizados posteriomente por Beethoven”, explica Mendes.

Menos conhecida e aclamada, a “Sinfonia Concertante em Mi Bemol Maior, K364, para Violino, Viola e Orquestra” une princípios da sinfonia com fundamentos típicos do concerto. “Tornou-se uma obra muito importante do gênero ao colocar dois solistas em pé de igualdade, sendo um deles com um instrumento (a viola) de pouco apelo na época”, afirma Mendes.

Para o maestro-assistente, o projeto Sinfonia no Museu tem se consolidado e deve continuar a ser produzido. Parte disso é consequência do espaço. “É um formato mais intimista em que o público fica bem próximo dos músicos. Isso dá a oportunidade se experimentar de outra maneira a música clássica”, afirma.

Agenda

O quê. Orquestra Sinfônica de Minas Gerais

Quando. Hoje e amanhã

Onde. Museu Inimá de Paula (rua da Bahia, 1202, centro)

Quanto. Entrada franca

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