Como pregam os idiotas da objetividade

iG Minas Gerais |

O que é pior e mais danoso para o país: perder a Copa das Copas, como bem a batizou a nossa divina guia, acolitada pelos bem-pensantes mágicos da corte dos marqueteiros e outros “et coeterae” da mesma categoria dos das novelas, ou entregá-lo desonrosamente, rendição incondicional, aos caprichos da inflação? Pois desconfio que estamos na baba da cachorra. Ou dos fados? Vale retificar? Por ora, é bom largar pra lá. Os estragos são múltiplos. Entre nós, estes, infelizmente, como ponderam os sábios, são esquecidos facilmente, principalmente nos elementos constitutivos. Aposto, por exemplo, em muitas das causas (claro que houve concurso de causas, tais como imprudência, cálculo ignorante e leviano de faturar), com os felizes resultados das circunstâncias, os agradecimentos dos eleitores, pouco importando os riscos, os prejuízos humanos e financeiros de obras tocadas “a la diable”, o mundo de dinheiro desperdiçado, tirado de onde não havia por manobras irresponsáveis, às quais se deu o apropriado apelido de “mágicas contábeis”, o vasto pântano de corrupção anunciado que, sem o ministro Joaquim Barbosa, decerto se esconderá para sempre no silêncio dos beneficiários e comparsas. Caro leitor, a lista dos desmandos, das leviandades, do descuidados com a coisa pública é ampla e profunda. Daqui a poucos anos, tudo não passará do desconhecimento das futuras gerações. Perdoe-me, caro leitor, mas já não tenho a idade das ilusões para supor que nós, brasileiros, somos como os nossos algozes de dramáticas aventuras, os alemães que não esquecem e que sabem retirar do passado as lições que lhes guiam o futuro. Mas introduzi também outra pergunta, muito mais severa, revoltada indignação, com o que o governo está fazendo com a estabilidade dos preços, jogando-a no lixo com que se farta na luxúria do poder, um bem máximo que um dia julgamos ser nosso. Os jornais desta semana, justamente no dia seguinte à maior humilhação futebolística da história a que foi jogada a nação, informaram que, sem embargo o índice de inflação ter sido menor que o do mês anterior, em 12 meses ultrapassou o teto da meta fixada pelo governo. Novidade nenhuma, infelizmente. Ah! Se um governo responsável assumir as rédeas para substituir a inépcia do atual, o que terá de promover para corrigir os malfeitos dessa equipe econômica sinistra, que deveria ser submetida, tivéssemos boas instituições em funcionamento, a enérgico processo de recall. Mais trágico ainda: se houvesse sido respeitado o sistema de mandatos fixos para a diretoria do Banco Central, o recall seria complemento natural. Contudo, o sr. Delfim Netto, hoje cortesão solícito do lulopetismo, cuidou de liquidar com o sistema de garantias da autoridade monetária, em 1967, com o mesmo afã com que hoje bajula a Nossa Esclarecida Guia e seus ajudantes econômicos imperitos. E depois se queixam do complexo de vira-lata. Ora, o terceiro lugar na Copa lava a alma, como pregam os idiotas da objetividade. Concorda, leitor?

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