O sentimento de brasilidade e a paixão pelo esporte em geral

iG Minas Gerais |

DUKE
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Quisera afastar de mim o sentimento de brasilidade e a paixão pelo esporte em geral, mas, principalmente, pelo futebol – um esporte coletivo e solidário que me enche os olhos e me faz bem ao coração. Mas como tirar de mim o que me faz viver e me deixa sonhar? Deixei minha casa anteontem com o dia raiando para comprar pão. Na padaria, um ambiente estranho. Não era o frio (ou a falta de agasalho) a razão desse sentimento indefinido que vislumbrava no rosto de cada irmão com quem cruzei no meu itinerário. No alto da avenida Afonso Pena, pouco antes da praça da Bandeira, poucos veículos exibiam o nosso precioso e rico emblema – a tão querida, mas, às vezes, maltratada, bandeira do Brasil. Na Savassi, porém, para onde segui logo depois, uma jovem loira (uma alemã, quem sabe...) se fazia acompanhar de um cãozinho vestido, como ela, de verde e amarelo. Os dois, a um só tempo, em silêncio, manifestavam esperança e respeito. Minutos antes de sair de casa, e também preocupado com a fisionomia ansiosa do nosso prestimoso porteiro, apenas lhe disse, como se lhe fizesse um afago: “Não se preocupe, Raul, sem o craque Neymar hoje, a seleção vai brilhar: primeiro, por ele, depois, porque se sentirá mais solta. Com Dante no lugar de Thiago Silva, a defesa, com a ajuda de Luiz Gustavo, que retornará ao time, e Paulinho, continuará a mesma muralha; no ataque, Fred voltará a fazer gols, Oscar novamente brilhará, e Hulk, finalmente, acertará a pontaria dos seus tirambaços. Não sofra por antecipação. O hexacampeonato será nosso!”. Era esse o meu raciocínio, embora não pudesse nunca saber o que se passava pela cabeça de quem, autoritário e sozinho, escalaria o time: o exagero da imprensa em torno da indispensabilidade do nosso maior craque (ele representava 85% do time, diziam alguns dos nossos comentaristas) se tornará, pensava eu, num desafio para os outros jogadores. Com a escalação que imaginei, isto é, com o meio de campo reforçado e com quase o mesmo time (Dante, certamente, substituiria à altura o nosso grande Thiago Silva), enfrentaríamos os alemães, que vêm jogando, há alguns anos, o melhor futebol da atualidade, com um goleiro indevassável e incrível senso de coletividade. Repetir-se-ia, dizia ainda ao atencioso Raul, o episódio de 1962, quando Pelé, na mesma idade de Neymar e já craque consagrado, deixou o jogo contundido depois que foi literalmente caçado em campo pela seleção de Portugal. Garrincha assumiu a Copa e teve como fiel escudeiro ou coadjutor o botafoguense Amarildo (o Possesso). Acalme-se, pois: os deuses de futebol saberão velar pelos brasileiros… Já havia esquecido as falhas cometidas por Felipão na convocação da seleção. Ele deixara de lado craques (qualquer um saberá apontá-los) que, com sua experiência, certamente ajudariam o time. Jamais contei, porém, com a escalação de Bernard e Hulk isolados na frente ou nas pontas. Nem imaginei que Dante não corresponderia e ainda sobrecarregaria David Luiz. O time alemão, graças a isso, encontrou uma avenida e, por meio dela, fez cinco gols em 30 minutos. Felipão, o soberbo, e Parreira, o omisso, são, sim, os maiores responsáveis pela vexatória derrota. Em vez de mexerem no time logo após os dois primeiros gols, cruzaram os braços e permitiram mais cinco. E, quando mexeram, no segundo tempo, ainda erraram mais. Como David Luiz, sofri e sofro com a dura frustração do povo brasileiro, que merecia ser feliz pelo menos no futebol. Que tristeza!

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