Uns ganham, outros perdem

Como no futebol, a Copa deixou perdedores e vencedores no comércio de Belo Horizonte

iG Minas Gerais | Juliana Gontijo |

O resultado da Copa do Mundo não foi ruim apenas para o torcedor brasileiro que viu a seleção perder por 7 a 1 para a Alemanha nessa terça. Para algumas áreas do varejo de Belo Horizonte, o Mundial representou perda no faturamento que, em alguns casos, chegou a computar recuo de 40% frente ao mesmo período do ano passado. Para empresários do setor, a queda se deve ao direcionamento do consumo para bares e restaurantes.  

O gerente da loja de calçados femininos Rafa’s, Rafael César de Almeida, afirma que vários fatores fizeram com que a loja, localizada na Savassi, região Centro-Sul da capital, computasse queda de 40% frente a igual período de 2013. Um deles é a valorização do real frente a outras moedas de países sul-americanos. “Eu só atendi uma cliente estrangeira. Ela era de Londres”, diz.

Além da moeda, ele observa que a maioria dos turistas que vem para uma Copa quer aproveitar a cidade e os jogos, frequentando o estádio ou bares e restaurantes. “O foco é outro. Eles gastam com hospedagem, transporte, comida e bebida”, observa.

Almeida afirma que, mesmo com uma loja na Savassi – um dos lugares que atraíram mais turistas na cidade –, ele não lucrou. “Aqui teve foi festa. Abri no dia do jogo do Brasil, das 10h às 14h, mas não compensou. O impacto negativo não é apenas para a minha loja, mas para todo o setor de vestuário e calçados, aliás para o comércio de uma forma geral”, reclama ele.

O diretor comercial da K9, Anderson Borges, avaliou negativamente a Copa no que se refere aos negócios da empresa de moda feminina. Ele conta que, desde o começo do evento esportivo até o momento, as vendas tiveram recuo de 30% na comparação com 2013. “Aconteceu um apagão de compras. Afinal, a atenção do consumidor se voltou para outras coisas, outras prioridades. Nem mesmo as promoções melhoraram a situação”, observa ele.

O diretor afirma que um dos segmentos que lucraram foi o de bares, em especial, os da região central e Savassi. Ele aposta que os negócios da rede, que conta com oito lojas, só voltarão ao ritmo normal por volta de agosto. “Primeiro, vai ter um período de ressaca no varejo”, diz.

Pizzaria tem ‘boa surpresa’ com Mundial Na Pizzaria do Porto, no Barro Preto, na região Centro-Sul de Belo Horizonte, o Mundial ajudou o faturamento a crescer 30% na comparação com o ano passado, segundo a proprietária Valéria Duarte. “Foi uma boa surpresa. Eu estava com receio, já que pouco antes da Copa a cidade não tinha entrado no clima”, diz. Já na Loja do Hexa, na Savassi, também na capital, até no dia do jogo do Brasil contra a Alemanha, as vendas estavam empatadas na comparação com a Copa anterior, conforme o gerente Geraldo Ferrer. 

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