Diretor da Match entrega credencial da Copa após pressão da Fifa

Em comunicado, empresa alega que decisão não significa uma confirmação das acusações feitas ao empresário

iG Minas Gerais | FOLHAPRESS |

Ray Whelan, consultor da FIFA para assuntos de hotelaria, visita hoteis no Brasil, para preparação para a Copa do Mundo 2014. 02/08/2007. Foto: Charles Silva Duarte/O Tempo
CHARLES SILVA DUARTE/O TEMPO
Ray Whelan, consultor da FIFA para assuntos de hotelaria, visita hoteis no Brasil, para preparação para a Copa do Mundo 2014. 02/08/2007. Foto: Charles Silva Duarte/O Tempo

O diretor-executivo da Match Services, Ray Whelan, 64, acusado de liderar a quadrilha internacional de venda ilegal de ingressos da Copa do Mundo, anunciou nesta quarta-feira (9), a quatro dias da final do torneio, que irá devolver à Fifa sua credencial.

Segundo comunicado divulgado pelo Match, a decisão "não é uma confissão de que ele fez algo de errado" e o dirigente "lembra que está contribuindo totalmente com os investigações que vão atestar sua inocência".

Sem a credencial, Whelan não terá mais acesso às áreas oficiais do torneio e nem poderá se aproximar dos estádios no momento das partidas (a menos que tenha ingresso para aquele confronto). Restam apenas dois jogos para o fim da competição.

O empresário gerencia o braço de acomodações do conglomerado dos irmãos Byrom, grandes parceiros comerciais da Fifa, e trabalha no credenciamento de hotéis oficiais nos torneios da entidade.

A reportagem apurou que a devolução da credencial do executivo aconteceu por pressão da Fifa, que está preocupada com os danos de imagem provocados pelo escândalo.

Na terça-feira (8), a Match emitiu um comunicado informando que o britânico "continuará trabalhando nas áreas operacionais de nossa responsabilidade para realizar uma Copa do Mundo bem-sucedida" depois de ser liberado pela polícia com o pagamento de fiança e um habeas corpus.

Inicialmente, a Federação Internacional de Futebol havia dito que o empresário era funcionário da Match Services e que qualquer decisão sobre o futuro do britânico deveria ser tomada pela companhia.

Mas a repercussão negativa do caso fez a Fifa endurecer a pressão pelo afastamento.

À imprensa, a entidade não tem criticado Whelan e nem a Match. Diz apenas que tem de esperar o fim das investigações e que irá punir quem estiver envolvido no escândalo.

O empresário foi indiciado por associação criminosa e por facilitar o recebimento de ingresso a cambistas, artigo 41-G do Estatuto do Torcedor.

As investigações mostraram aos policiais que o grupo liderado por Whelan desviaria ingressos dos pacotes de hospitalidade, de federações nacionais como a CBF, além de ingressos individuais ou bilhetes adquirido com operários dos estádios utilizados no Mundial.

A Match, empresa dirigida pelos mexicanos Jaime e Enrique Byrom, cunhados do britânico, detém a exclusividade na venda das entradas de hospitalidade da Copa, do Mundial feminino e da Copa das Confederações.

A companhia está sediada em Zurique, cidade-base da Fifa, e seus donos são figuras frequentes nos corredores da entidade.

A relação entre os irmãos Byrom e a entidade que gerencia o futebol mundial foi descrita no livro "Um Jogo Cada Vez Mais Sujo" (Panda Books), do jornalista Andrew Jennings.

Na obra, o jornalista acusa a Match de comandar um esquema de desvio de entradas de primeiro escalão (VIPs e de hospitalidade) da Copa para o mercado paralelo, com total conhecimento de Blatter.

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