Polícia indicia 12 da quadrilha de venda de ingressos da Copa

Dentre os suspeitos, 11 são suspeitos de cambismo e associação criminosa

iG Minas Gerais | FOLHAPRESS |

Grupo chegava a faturar R$ 1 milhão por jogo da Copa do Mundo com a venda de ingressos
POLÍCIA CIVIL DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO/DIVULGAÇÃO
Grupo chegava a faturar R$ 1 milhão por jogo da Copa do Mundo com a venda de ingressos

 O delegado Fabio Barucke, da Polícia Civil do Rio, indiciou 12 pessoas identificadas na investigação Jules Rimet, que desbaratou um grupo que vendia, irregularmente, ingressos para jogos da Copa do Mundo. Dentre os suspeitos, 11 são por cambismo e associação criminosa.

Raymond Whelan, 64, CEO da empresa Match, única autorizada pela Fifa a comercializar ingressos do Mundial, foi indiciado por associação criminosa e por facilitar o recebimento de ingresso a cambistas, artigo 41-G do Estatuto do Torcedor.

Whelan e o advogado José Massih, apontado pela polícia como cambista, são os únicos, atualmente, em liberdade.

Os outros permanecem detidos no complexo penitenciário de Gericino, na zona oeste do Rio. Agora, o promotor Marcos Kac tem cinco dias para decidir se denuncia ou não os 12 indiciados. A quadrilha foi presa no dia 1º de julho, após três meses de investigação da polícia carioca. De acordo com policiais, o grupo pretendia arrecadar até R$ 200 milhões até o fim da Copa. Para a final um ingresso estava custando até R$ 35 mil.

As investigações mostraram aos policiais que o grupo desviaria ingressos dos pacotes de hospitalidade, de federações nacionais como a CBF, além de ingressos individuais ou bilhetes adquirido com operários dos estádios utilizados no Mundial.

ENTENDA O CASO

A Polícia Civil do Rio prendeu 11 pessoas na última terça-feira (1º) suspeitas de integrarem uma quadrilha de desvio e venda ilegal de ingressos para Copa do Mundo. A operação, batizada de "Jules Rimet", teve apoio Ministério Público e do Juizado do Torcedor e já vinha sendo conduzida há dois meses.

Mais de uma centena de bilhetes foram apreendidos com as pessoas presas. Os bilhetes comercializados, segundo as investigações, eram de cotas cedidas pela Fifa a patrocinadores e delegações de seleções. O esquema funcionaria desde a Copa de 2002, realizada na Coreia do Sul e no Japão. Ainda de acordo com as investigações, o grupo faturava até R$ 1 milhão por jogo. A polícia fez prisões no Rio e em São Paulo. Entre os presos está Fofana.

Durante a semana, o promotor do caso, Marcos Kac, disse abertamente que havia um integrante "graúdo" da Fifa envolvido no esquema. Até o momento, seu nome não foi divulgado. A Fifa, por sua vez, nega que funcionários da entidade teriam relação com cambistas.

Segundo o delegado Fabio Barucke, da Polícia Civil, um funcionário da Fifa e outro da empresa Match Services, responsável pela venda de ingressos da Copa, são suspeitos de participarem da quadrilha. Além deles, um chinês atuaria em São Paulo negociando ingressos para a quadrilha.

Na noite da última segunda (30), dois americanos e uma italiana foram presos em flagrante ingressos para a Copa, que vendiam pelos sites das empresas Ludus Tours e Red Carpet.

Entre os ingressos que a polícia informou ter apreendido durante a operação, aparece um com o nome de Humberto Mario Grondona, filho mais velho do presidente da AFA (Associação de Futebol da Argentina) e vice da Fifa, Julio Grondona. O filho do cartola negou participação no esquema. Procurada pela Folha, a AFA disse desconhecer qualquer esquema de desvio de ingressos da Copa.

A Fifa, que inicialmente havia dito que o caso de Grondona já estava esclarecido, informou neste domingo (6) que pedirá esclarecimentos por escrito ao filho do cartola.

Segundo a polícia, as delegações do Brasil, Argentina e Espanha também estão sendo investigadas por suspeita de repassarem ingressos de sua cota ao esquema. Procurada, a CBF afirmou não ter sido informada de modo oficial. Disse que os bilhetes que recebe da Fifa têm controle numérico, mas não discriminação nominal.

A cada jogo, a Fifa distribui 700 ingressos para cada federação cuja seleção está em campo. Além disso, a CBF recebeu uma carga de 30 mil entradas extras por ser a federação da sede do Mundial.

As investigações sobre o esquema começaram há três meses. São 50 mil registros de gravação. A Polícia Civil ouviu até o momento 25 mil, o que indica aos policiais que outras pessoas ainda podem surgir no esquema.

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