Alemanha faz festa em dia de vexame brasileiro dentro e fora do campo

Torcedores da seleção germânica ficaram em estado de êxtase com a goleada, mas alguns se desentenderam com os brasileiros

iG Minas Gerais | GUILHERME GUIMARÃES |

“Alegria nas pernas, ousadia e alegria, gingado, malandragem e técnica”. A seleção brasileira deixou suas melhores características no vestiário, se é que as levou ao Mineirão, e foi humilhada pela Alemanha. No grande palco do futebol mineiro, o time comandando por Luiz Felipe Scolari protagonizou o maior vexame Canarinho na história do futebol.

Um  7 a 1 que teve prorrogação, não dentro de campo, fora dele. Mais de uma hora depois do apito final do árbitro mexicano Marco Rodriguez, torcida alemã não arredava o pé das arquibancadas do Mineirão. Vários cânticos dos germânicos ecoavam na Pampulha e um dos mais simbólicos, apesar de simplista – ao menos na letra – era: “Rio de Janeiro, ô, ô, ô, ô, ô”.  A música resumia bem uma história que pode terminar, no Maracanã, em um belo capítulo de tetracampeonato mundial, após 24 anos de espera.

Se faltou tudo para o Brasil, sobrou para os alemães. Mesmo em menor número os gringos deram show. Não teve santo brasileiro – nem os de casa, que costumam fazer milagres – que desse jeito.

“Desde 1990, a primeira Copa do Mundo que tenho na lembrança, torço pra Alemanha. Nunca torci para o Brasil. Tenho três amores, o Rio de Janeiro, o Flamengo e a Alemanha. Goleada rubro-negra, já que eles usaram uniforme parecido com o do Mengão. Felicidade, êxtase total”, disse o carioca Arnaldo Di Blase, 31, que não se envergonhava por torcer contra a própria seleção.

Enquanto a Alemanha balançava a rede brasileira, os torcedores sacudiam o Mineirão. A arquibancada tremeu, assim como a seleção verde e amarela. “Uma vergonha para o Brasil, levar uma goleada dessa em casa. Triste para o povo daqui”, comentou Patrick Zahn, 37, natural de Colônia, cidade localizada no oeste da Alemanha.

Impossível afirmar qual o sentimento do brasileiro. Qual era o sentimento daquele que vos escreve. Assim como nas oitavas de final, voltei ao “terreno inimigo”, mas para ficar atônito e sem reação pelo amplo domínio adversário. Não deu nem para ficar triste.

Os alemães demonstravam um misto de felicidade pela goleada que os levava à final, e tristeza por ver o drama e choro brasileiro. “Estou muito feliz. Nem o mais otimista dos alemães esperava isso, uma goleada já no começo do jogo. O Brasil se entregou muito fácil. Estamos na final. Tenho vários amigos brasileiros e estou com pena deles”, falou Manoel Schaal, 32, de Stuttgard.

Mas os torcedores do Brasil não queriam saber da pena dos visitantes. Um rapaz de meia idade passou gritando: “Menos, menos cambada. Aqui não, no meu país vocês não vão fazer essa festa”, esbravejava, fazendo com as mãos um bigode, em referência a Adolf Hitler, ditador alemão.

A atitude do brasileiro deixou os alemães irados. Um deles, que falava um português carregado e arranhado, dizia: “Racismo, seu racista. Alguém precisa prendê-lo”. A reclamação ganhou proporções maiores e um grupo de “stewards” – seguranças da Fifa – retirou o baderneiro das arquibancadas.

A festa dos alemães seguia mesmo com várias brigas entre brasileiros. Uma, inclusive, pancadaria generalizada, com três pessoas detidas pela Polícia Militar, uma delas tendo o rosto cheio de sangue, por um soco que levou no nariz. Até mesmo um idoso, nitidamente embriagado, se envolveu na confusão.

Se o Brasileiro queria confusão, o alemão pensava só em festa, nada mais do que festa. Depois de descerem para o vestiário, comemorarem classificação à final, alguns comandados por Joachim Löew voltaram ao gramado do já vazio, mas barulhento Mineirão. Esses atletas tinham em mãos smartphones para filmar a explosão germânica.

Sobrou futebol e carisma para os gringos. Ficou tristeza e choque para os brasileiros, que seguem na fila mais uma vez à espera do hexa. Resultado que quase veio no placar, não fosse o sétimo tento anotado por Schuerrle.