Paixão pelo futebol: um caso de amor sem barreiras

iG Minas Gerais |

Não tem limites minha paixão pelo futebol e pela cultura que gira em torno desse esporte bretão. Já li tudo o que Nelson Rodrigues, João Saldanha, Armando Nogueira e até Eric Hobsbawn nos legaram sobre a magia desse espetáculo com a bola que se vê nos belos tapetes verdes, nos campinhos de várzea, nos pátios de escolas, prisões e fábricas ou nas praias. Já me deliciei, inclusive, com páginas de Asterix, narrando de forma hilariante o surgimento do futebol na Grã-Bretanha. Mesmo plagiando, digo: amo tudo isso. Neste mesmo jornal, leio, todas as semanas, as sempre sábias palavras de quem também soube ser sábio em campo e tanto nos encantou no meu Cruzeiro e na seleção brasileira: Tostão. Na verdade, em que pese meu amor pelo Brasil, no que diz respeito ao futebol, meu desvario não respeita fronteiras. Faço-me seguidora de Eduardo Galeano, que se definiu mendigo do bom futebol, à cata de uma linda jogada mundo afora, sem se importar com o clube ou o país que oferece. Será que ele já viu o golaço de Jessé, lá no Acre? Digno do prêmio Puskas! Robben, Ribéry, Messi, entre tantos, me fascinam tanto quanto já o fizeram Pelé, Garrincha, Maradona... Mas há mais. Como não se emocionar quando o futebol espelha a visão de outro mundo possível, mais solidário e mais lúdico? Como não se deixar levar pela lembrança dos mártires do Dínamo de Kiev, que, sob as ameaças das metralhadoras de Hitler, preferiram morrer a entregar um jogo a um selecionado do Exército alemão na Ucrânia ocupada? Ou que o asmático Che Guevara andou defendendo pênaltis e treinando uma equipe em Letícia, na Colômbia, durante seu giro de motocicleta pela América do Sul, perpetuado na belíssima película de Walter Salles? Ou que Albert Camus foi goleiro na Argélia? “O futebol”, disse-o bem Gramsci, “é o reino da lealdade humana exercida ao ar livre”. Quando estas linhas forem publicadas, já terá sido selado nosso destino frente à poderosa esquadra alemã. A mim, pouco importa. Importa, sim, saber que, em Hamburgo, um time chamado Sankt Pauli, fundado no famoso bairro erótico daquele porto onde os Beatles começaram, dedica-se a todo tipo de causas emancipatórias: contra ditaduras de todos os tipos, contra o racismo, contra a discriminação por orientação sexual, contra agressões ambientais, e por aí vai... Na sua página na internet, o clube pergunta a seus torcedores: o que você está fazendo para melhorar o mundo? Isso faz a diferença. E ainda se divertem jogando bola! E porque o futebol é o reino da lealdade humana, a despeito da deslealdade praticada por Zúñiga contra o genial Neymar, não pode haver nada mais tocante que ver David Luiz e Daniel Alves consolarem o não menos talentoso James Rodríguez depois da eliminação da Colômbia. É como registra o meu já citado guru em matérias futebolísticas, Eduardo Galeano, lembrando-se da meninada com a qual jogava suas peladas no Uruguai. Terminadas as partidas, saíam todos abraçados, cantando: “Ganamos, perdimos, igual nos divertimos”.

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