As previsões catastróficas para Copa e seu reflexo nas eleições

iG Minas Gerais |

DUKE
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Ao contrário do que a oposição gostaria que acontecesse e parte da grande imprensa reverberava, a Copa do Mundo não está sendo um fracasso. Pelo contrário, ainda que tenham ocorrido falhas, o evento está sendo um sucesso. O fato é que o discurso anti Copa tinha o objetivo claro de fragilizar Dilma e agravar seus problemas de comunicação no processo eleitoral. Era uma forma de acelerar esse desgaste com base na seguinte aposta: a presidente tinha tudo a perder com o fracasso da Copa e nada a ganhar com o sucesso. O governo parecia encurralado pelas críticas, carente de uma boa estratégia de comunicação e, pior ainda, sem a consciência de que no Brasil o dono da agenda é o governo federal. Com alguma sabedoria, é possível saturar a conjuntura de boas notícias. Em geral, o Planalto aplica o axioma Ricupero ao contrário: “O que é bom a gente esconde, o que é ruim a gente mostra”. Esquece, como dizia o personagem da peça “Lucky Guy”, que só existem dois fatos incontestes na vida: o nascimento e a morte. Tudo o mais é sujeito a interpretação. A aposta no fracasso da Copa se baseava em duas ou três crenças. Haveria um apagão aeroportuário, a infraestrutura urbana não suportaria o trânsito de milhares de turistas, a criminalidade faria grande dano à imagem do país. Muitos apostavam que haveria racionamento de energia elétrica baseados na teoria do “não é possível que não aconteça”. Na torcida contra o governo, era possível identificar gente afirmando que preferiria que tudo desse errado simplesmente para que Dilma não fosse reeleita. No entanto, as coisas não saíram de acordo com as previsões catastróficas. Mesmo que as manchetes dos três maiores jornais do país façam questão de dizer que “caiu um viaduto da Copa”, a sensação é outra, e positiva. O resultado da pesquisa Datafolha mostra Dilma mantendo a dianteira na corrida presidencial, e com uma subida frente à pesquisa anterior acima dos índices de empate técnico. No limite, a Copa está sendo boa para Dilma e para suas chances, além de ter, mais uma vez, sepultado o “Volta, Lula”, que sumiu das páginas dos jornais. Sendo um sucesso, a Copa arma o governo de ânimo e de argumentos para falar com firmeza de suas ações. E ajuda a vencer a síndrome da dificuldade para se comunicar bem. Para a oposição, a Copa não tem sido boa, já que um ambiente de satisfação proporcionado pelos jogos tende a favorecer o conservadorismo, isto é, quem está no comando. Ao examinarmos a preferência por Dilma de acordo com a faixa de renda, constatamos sua esmagadora liderança nas camadas de renda mais baixa. Justamente aquelas que não estão ao alcance da imprensa escrita e que se informam – de forma superficial – pela televisão aberta, que, como se sabe, é 90% dedicada ao entretenimento. Considerando que a Copa deve terminar por favorecer Dilma e que se espera que ela faça – em rede nacional – um balanço do evento, seus riscos eleitorais voltam a se concentrar na economia, que anda de lado e com perspectivas pessimistas. Examinando o perfil do eleitorado brasileiro, acreditamos que o que vai prevalecer, no fim das contas, é a “sensação térmica” causada pela economia. Com o mercado financeiro jogando contra e o empresariado dividido, Dilma tem pouco espaço para criar eventos e fatos positivos no campo econômico, mas suas prioridades devem ser essas, e, sobretudo, como se comunicar mais e melhor. “Lucky Guy” é uma peça estrelada por Tom Hanks na Broadway sobre a vida de um jornalista norte-americano.

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