O perigo dos vices

iG Minas Gerais |

Dizem que a prática da política partidária é ofício do diabo. E parece que é mesmo. Não sei quem disse isso e, se ninguém disse, digo eu. Meus candidatos à Presidência da República não saem vitoriosos, exceção para Jânio. Votei sempre no que achava o menos ruim e, por isso, votei em Ciro Gomes e até em Esperidião Amim, aquele pelado como eu, lá de Santa Catarina. Tenho certeza, se é que se pode ter certeza em política partidária, que determinadas regras quase sempre falham em eleições majoritárias. Por exemplo: muitas vezes, a eleição majoritária começa a ser decidida com a escolha do vice. O vice não elege ninguém, mas pode derrotar e azarar tudo, como foi o caso de Tancredo com Sarney, que não podia ser candidato a nada por ter renunciado à presidência da Arena para se filiar ao MDB sem o interstício de dois anos exigido por lei. Isso foi um rolo arquitetado pelo general Golbery, que nunca aceitou a candidatura de Andreazza. E deu no que deu. Nasci e me criei no Norte de Minas, onde a política “é o pau que gira”. Fui deputado por muitos anos e sempre pensei que minha vida sempre seria na militância política, com ou sem mandato. Mas com a eleição de Tancredo, pessoa que eu admirava, politicamente (ele lá e eu cá), começou minha desilusão. Como eu havia sido eleito para mais um mandato, tive tempo para ir me preparando para largar tudo e apoiar um companheiro salinense. E assim, ao completar o mandato, que coincidiu com meus 50 anos, fui cuidar da fazenda. Tancredo nunca me perdoou e bateu forte em mim. Aliás, eu e o saudoso Pio Canedo fomos avisados de que iríamos pagar o pato por termos ficado contra ele. Tancredo sempre falou em eleições diretas, mas conjurava com Golbery pelas indiretas e, assim, ganhou a Presidência com esse raposismo pessedista. Agora, aproximam-se as eleições presidenciais. Eu pretendia votar em Aécio, o menos pior na minha opinião, mas eis que Aécio, pupilo da “chique” esquerda paulista, acaba de lançar para seu vice o terrorista-senador Aloysio Nunes Ferreira Filho. Sendo assim,“votarei” nulo para presidente. Esse cara assaltou bancos e foi motorista do terrorista-chefe Marighela, que, na versão de seus companheiros da ALN, foi assassinado pela ditadura. Mentira: Marighela morreu de metralhadora nas mãos, em combate, apesar de toda proteção que recebia dos também terroristas de sua grei. Entre esses, havia alguns até de batina, que tinham dom Evaristo Arns como líder. O senador Aloysio foi muito mais ativo na guerrilha que a terrorista que hoje preside a República. Aliás, mais tempo, menos tempo, ela terá seu destino mudado pelo voto do povo consciente. A propósito, onde estariam os quase US$ 3 milhões que Dona Dilma roubou da casa de Ademar de Barros, em São Paulo? Cadê o cobre, D. Dilma? Que diferença existe entre o jogador criminoso Bruno e os mensaleiros brancos? E por que a diferença de tratamento? Racismo?

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