Saúde ganha reforço em MG

Além de treinamento de funcionários por três anos, foram adquiridos ambulâncias e um helicóptero

iG Minas Gerais | Bárbara Ferreira Luciene Câmara |

Helicóptero. Novo equipamento foi disponibilizado ontem para atendimentos
MOISES SILVA / O TEMPO 08-07-201
Helicóptero. Novo equipamento foi disponibilizado ontem para atendimentos

A Copa do Mundo gerou cerca de mil atendimentos de saúde em Belo Horizonte e fez o poder público se capacitar e montar um aparato médico para múltiplas vítimas como nunca visto na capital – o investimento do Estado foi de R$ 50 milhões. Foram três anos de treinamento com especialistas franceses e portugueses em quatro hospitais para que os profissionais locais estivessem preparados diante de possíveis catástrofes. Houve reforço ainda na estrutura de urgência e emergência, com aquisição de um helicóptero e de 13 ambulâncias de suporte básico e avançado.  

A promessa da Secretaria de Estado de Saúde (SES) é manter o padrão de qualidade após o Mundial e ampliar a estrutura. A saúde foi um dos pontos mais cobrados pela população nas ruas durante os protestos antes e durante o Mundial. Na Copa das Confederações, em 2013, o hino mais ouvido foi: “Da Copa eu abro mão, quero dinheiro para saúde e educação”.

“Conseguimos elaborar um trabalho integrado, envolvendo Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência), Corpo de Bombeiros, Polícia Militar (PM) e Defesa Civil. Antes, cada um trabalhava na sua caixinha, fazendo seu papel. Agora, é todo mundo junto com um único plano de contingência. Isso fica como legado”, disse o coordenador Estadual de Urgência e Emergência, Rasível dos Reis.

Para receber os milhares de torcedores da Copa, quatro hospitais foram preparados para atendimentos em massa: Hospital de Pronto-Socorro João XXIII, responsável por trauma e acidentes químicos e radiológicos; Eduardo de Menezes, para casos biológicos, doenças infecciosas e contaminação; Risoleta Tolentino Neves, para trauma e causas clínicas e infecciosas; e o Odilon Behrens, também focado em trauma e causas clínicas. Nos treinamentos, a França foi referência em atuação pré-hospitalar, e Portugal em organização hospitalar.

Além disso, o atendimento de urgência passou a contar com 40 ambulâncias, antes eram 27, um aumento de 48%. Houve também a implantação de cinco Postos Médicos Avançados (PMAs) – estruturas móveis para o atendimento de desastres, que durante a Copa foram montadas em pontos estratégicos, como no Mineirão e na Fan Fest. “O Estado já vinha implantando a rede de urgência e emergência, mas conseguimos antecipar muitas coisas”, disse Reis.

O número de helicópteros subiu de dois para três na capital – o novo começou a ser usado nessa terça.

Tecnologia

Novo. O helicóptero comporta um piloto e um copiloto, um médico, um enfermeiro e dois pacientes. A autonomia de voo é de três horas e meia (dá para ir a qualquer cidade mineira).

Balanço de atendimentos

Números. Desde o início da Copa até nessa terça (antes do jogo), 931 pessoas haviam sido atendidas pelos Postos Médicos Avançados (PMAs) – entre eles, 137 estrangeiros.

Postos. A unidade que teve o maior número de atendimentos foi a do Mineirão (333), seguida do posto da Fan Fest (307) e do PMA no entorno do estádio (39). Já nas Unidades de Pronto-Atendimento (UPAs) da capital, 250 pessoas foram atendidas.

Ocorrência. Cerca de 60% dos atendimentos foram causados por intoxicação alcoólica e pequenos ferimentos. Foram registradas duas mortes (um torcedor por infarto e uma argentina em acidente).

Equipes. Cada PMA conta com sete médicos, três enfermeiros, dez técnicos de enfermagem e um “kit catástrofe”, que atende até 50 vítimas.

Estruturas. As estruturas são móveis, e as equipes treinadas para montar as tendas em até 12 minutos. Durante o jogo dessa terça, duas delas funcionaram, uma no Mineirão e a outra na Fan Fest.

Tendas. Cada PMA tem cinco tendas. Uma é de triagem e a outra serve como um minialmoxarifado. As outras três são para atendimentos.

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