Após fim da demolição, perícia começa com escavação do solo

Diretor do Instituto de Criminalística afirma que avaliação será concluída em 30 dias

iG Minas Gerais | Jhonny Cazetta / Joana Suarez |

Trânsito. Escombros que impediam pista foram removidos por completo nessa terça
DENILTON DIAS / O TEMPO
Trânsito. Escombros que impediam pista foram removidos por completo nessa terça

Com o fim da demolição dos escombros do viaduto Batalha dos Guararapes, nessa terça, na avenida Pedro I, tem início agora efetivamente o trabalho da perícia para descobrir o erro e quem foi o responsável pelo desabamento da estrutura, na última quinta-feira, que causou duas mortes e deixou 23 feridos. Com isso, começa a contar o prazo de 30 dias para a conclusão do laudo, estipulado pelo Instituto de Criminalística (IC) da Polícia Civil de Minas. O trabalho será iniciado pela escavação do terreno no entorno do pilar que afundou 6 m. As obras de recuperação do asfalto também começam nesta quarta. A expectativa é que até nesta quinta o trânsito esteja liberado.  

“Primeiramente será feita uma vistoria pela Superintendência de Desenvolvimento da Capital (Sudecap), e só depois feitos os reparos. Nossa expectativa é de liberação da via em no máximo 48 horas após o início das obras de recuperação”, afirmou o gerente da Defesa Civil Municipal, Waldir Figueiredo.

Desde a queda do viaduto, os peritos fizeram registros fotográficos e coleta de materiais para verificação de qualidade e elaboração do laudo final – peça importante do inquérito policial instaurado na 3ª Delegacia Regional de Venda Nova para apurar as circunstâncias da tragédia. O perito que acompanhava o trabalho nessa terça informou que a próxima fase será o estudo do solo da região. “Temos informações de que debaixo do viaduto era um brejo e que também pode ter uma mina. Mas isso não interfere em nada na engenharia”, disse ele, sem se identificar.

Conforme o diretor do IC, Marco Paiva, antes do início da escavação, no entanto, é preciso que seja retirada a parte que restou do viaduto em cima dos pilares. “Precisamos tirar toda a parte em cima do pilar para garantir nossa segurança na escavação e descobrir se houve algum problema no início do bloco da fundação. Dessa forma, poderemos efetivamente começar o nosso trabalho”, explicou Paiva.

O diretor do IC destacou também que só solicitará a sondagem do solo após a escavação na área do pilar. “Precisamos saber primeiro o que temos debaixo do solo para sabermos se vamos solicitar a sondagem. Tudo indica que sim”, afirmou. O serviço será solicitado ao delegado Hugo e Silva, responsável pelo inquérito, mas não se sabe por quem seria feito e quem pagaria a conta.

Demolição. O trabalho começou na última segunda-feira e envolveu cerca de 110 pessoas, entre operários, agentes da Defesa Civil e dos bombeiros e peritos. Três tratores, chamados de “rompedores hidráulicos”, operaram no local. Eles foram usados para quebrar o concreto. Em seguida, dois caminhões-pipa eram usados para inibir a poeira. Por fim, uma tesoura hidráulica foi usada para cortar os ferros da estrutura, e duas máquinas retiravam o entulho.

“O nosso primeiro objetivo foi liberar o trânsito e garantir a segurança da vizinhança e da outra alça do viaduto”, disse o gerente da Defesa Civil. De acordo com ele, nenhum incidente foi registrado. “Instalamos uma estação topográfica na região e monitoramos os prédios vizinhos da construção”, completou.

O secretário municipal de Obras e Infraestrutura, José Lauro Terror, foi até o local da demolição, mas não quis falar com a imprensa. Por meio de sua assessoria, Terror apenas informou que a pasta vem acompanhando de perto os trabalhos, que estão sendo feitos pela Cowan, responsável pela construção do elevado. 

Resposta Sobre possíveis multas à construtora Cowan devido ao acidente – conforme publicado nessa terça por O TEMPO –, a empresa informou apenas que “nunca foi multada pela Prefeitura de Belo Horizonte por não seguir os padrões de qualidade nas obras”. O edital para a construção do viaduto prevê punições por irregularidades na execução do serviço.

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