Churrascaria vira arquibancada para caminhoneiros

Trabalhadores pararam na BR-381 para ver o duelo entre Brasil e Alemanha

iG Minas Gerais | BERNARDO MIRANDA |

Cinco gols em 30 minutos e o sonho de ver a final da Copa em casa foi por água abaixo, para o Caminhoneiro Rafael de Abreu,31. Morador de Santo Amaro da Imperatriz, em Santa Catarina, ele saiu da cidade antes da Copa, rodou do Sul ao Nordeste, assistiu jogos do Brasil nas estradas de quatro estados brasileiros. A derrota humilhante do Brasil para Alemanha, no Mineirão, seria a última que veria longe da família. Ele parou na churrascaria Rota do Sul, na BR-381, na altura da Igarapé, na região metropolitana, sentou mais uma vez sozinho, socou a mesa, xingou e foi embora decepcionado. A única partida da seleção que poderá ver acompanhado da mulher e dos dois filhos, será uma sem graça disputa pelo terceiro lugar.

"Cortei esse país durante a Copa. Vi um jogo na Bahia, outros três em Pernambuco, um no Rio Grande do Norte e agora aqui. Minha esperança era ver a final com a patroa, no conforto do lar, mas não deu. Em vez de perder tempo vendo o jogo, devia ter acelerado e chegado em casa mais cedo", lamentou Abreu, que brincou que o Nordeste deu mais sorte e o povo fazia mais festa que aqui.

Seu colega de estrada, Pedro Manzato, 58, veio de Marilan, no interior de São Paulo. Em vez de seguir viagem decidiu parar para ver o jogo. Apostou em um zero a zero, perdeu a paciência aos 20 minutos de jogo, e voltou para a estrada. " Uma vergonha", saiu irritado.

A medida que os gols da Alemanha iam saindo, Manzato ia ganhando seguidores. Da solidão na mesa que ocupavam na torcida, voltavam para a solidão da estrada. Teve quem quis embora, mas não tinha como. "Por causa desse vexame, foi feriado aqui na cidade e não pude descarregar, agora tenho que ficar parado aqui. O Brasil perdeu a Copa e eu perdi um dia de trabalho", reclamou Richard Marcon,40.

Quem resistiu ao massacre alemão, apelou para o bom humor. No segundo tempo a torcida foi para ampliar a goleada para apimentar ainda mais as piadas contra a seleção brasileira. Os principais alvos eram Fred, Bernard e o técnico Felipão. "Vê se eu vou ficar chorando. Esses jogadores estão ganhando rios de dinheiro, e eu vou ficar sofrendo aqui. O jeito é arranjar mais um motivo para sorrir", disse Odair Miranda, 39.

O jogo acabou, os caminhoneiros seguiram viagem, pois ao contrário da seleção brasileira, não podem ficar no meio de caminho.