Torcida deixa o Mineirão antes do término do primeiro tempo

Incrédulos, torcedores não entendiam a avalanche de gols da Alemanha e preferiram sair mais cedo do estádio

iG Minas Gerais | Josias Pereira |

O placar do Mineirão apontava trinta minutos de jogo e as saídas do estádio mineiro já estavam lotadas. Não, não eram os torcedores querendo antecipar a compra dos tradicionais lanches do intervalo. Eles estavam mesmo indo embora, alguns tantos chorando as mágoas da maior tragédia do futebol brasileiro em Copas do Mundo. As lágrimas que rolaram no Maracanã há 64 anos são mínimas perto das que transbordaram no Gigante da Pampulha no sombrio entardecer de Belo Horizonte. Palco de tantas glórias, o Mineirão terá que conviver com a mácula de uma equipe apática, completamente distante das tradições do futebol pentacampeão mundial. Antes de a bola rolar, era preciso ser apenas um. O Brasil estava sem Neymar, o maior craque, o menino prodígio que viu o sonho da Copa ser encerrado após uma entrada desleal do defensor colombiano Zuñiga. A torcida entendeu o recado. Vestiu-se de verde e amarelo, fez a festa, cantou o hino a plenos pulmões e tentou, de sua forma apaixonada, tresloucada, dar o apoio necessário aos comandados de Felipão. Um voto de confiança. Logo, este laço que parecia inquebrável sofreu sua primeira ruptura aos 11 minutos, quando Müller, sozinho, aproveitou a falha da zaga brasileira e balançou as redes. Até aí tudo bem, era possível acreditar. No entanto, quando Klose, logo ele, aos 22 min, fez o segundo gol, esta empatia entre torcida e seleção ruiu. Olhares atônitos, mãos entregues ao rosto, lágrimas, gritos. Ninguém conseguia acreditar. Vieram mais um, dois, três gols, todos apenas na primeira etapa, tentos assim no melhor estilo “pelada”. A Alemanha brincava de jogar bola, enquanto o Brasil, o suposto dono da festa, chorava suas mágoas. Enquanto isto, os alemães cantavam naquele sotaque arrastado "Rio de Janeiro", o nome da cidade que os aguarda no próximo domingo, dia em que o futebol da seleção mais 'brasileira' da Copa terá a oportunidade de ser tetracampeã mundial.  A bola continuou a rolar no gramado, mas aí não era importante mais o que se passava no campo. A vergonha era demais. Ninguém foi poupado. De Felipão a presidente Dilma Rousseff. Os ânimos, como não poderia deixar de ser, ficaram exaltados nas arquibancadas do Gigante da Pampulha. Um corre-corre para evitar desentendimentos, mas o sentimento de raiva, de impotência, este sim, ninguém foi capaz de aplacar. Quando aquele fortuito lance de Ghiggia venceu Barbosa no Maracanã, mal sabia o falecido arqueiro que 64 anos depois 23 jogadores ‘lavariam’ sua honra da pior maneira possível. Um triste acerto de contas que o Mineirão jamais merecia carregar. 

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