Organização 'Padrão FIFA' surpreende os mal acostumados

Ônibus de meia em meia hora para a imprensa e voluntários atentos e bem dispostos são apenas algumas das diferenças de quem cobre Campeonato Mineiro e Brasileirão

iG Minas Gerais | DANIEL OTTONI |

Fifa exige que a cidade tenha pelo menos 10 mil voluntários
COB/Divulgação
Fifa exige que a cidade tenha pelo menos 10 mil voluntários

Quem se acostumou a ir para o Mineirão em ônibus cheios de torcedores saindo pelas janelas e pegando longos congestionamentos, com buzinas incessantes e desnecessárias, certamente se surpreende quando se depara com uma situação bem diferente durante a Copa do Mundo. O ‘padrão FIFA’, tão falado nos últimos meses, é nítido e ajuda bastante vários envolvidos no Mundial, como torcedores e imprensa. Para começar, os jornalistas possuem, em todos os jogos e também nos dias que antecedem as partidas, ônibus à sua disposição, saindo de pontos estratégicos da cidade, rumo ao estádio. A cada 30min, um ônibus sai de um dos quatro locais-referência.

O veículo, com capacidade para 46 pessoas, tem wif-fi, água gelada, banheiro em boas condições e ar condicionado.

Para impressionar ainda mais, o trajeto feito nesta terça-feira, entre um hotel na Rua da Bahia, no centro da Cidade, e o estádio do Mineirão, foi feito em 28 minutos, pela Avenida Antônio Carlos. Indo pela pista central, nenhum congestionamento atrapalhou o caminho.

A via ao lado, destinada para carros de passeio, também não apresentava tráfego lento, talvez pelo horário antecipado em que a reportagem embarcou, por volta das 12h30.

Antes de entrar no ônibus, uma voluntária se mostrava disposta a tirar toda e qualquer dúvida dos jornalistas, sendo apenas mais uma das diferenças que os profissionais de mídia não estão acostumados quando cobrem jogos de Campeonato Mineiro e Brasileirão.

Apesar de várias nacionalidades estarem reunidas dentro do veículo que levou os jornalistas até o Mineirão, a concentração entre eles durante a viagem lembrava a de uma seleção antes de uma importante partida. A tranquilidade do trajeto se refletiu dentro do ônibus.

Organização é mais comum para alguns O jornalista esloveno Luka Petric, da Rádio Slovenia, era um dos presentes no ônibus que levou os jornalistas até o Mineirão para cobrir o jogo entre Brasil e Alemanha. Depois de cobrir as Copas da Alemanha, em 2006 e África do Sul, em 2010, ele se diz até acostumado com o que vê acontecendo no Brasil. “Na Alemanha era algo impressionante. A organização parece que está no sangue deles. Tudo que era passado, como horários de chegada e saída, acontecia exatamente daquela forma, funcionando perfeitamente. Além disso, o que não faltavam eram opções para os jornalistas irem até os estádios, com ônibus, metrôs e trens”, elogia. Já na África do Sul, as coisas também funcionaram, mas não com a mesma perfeição. “Lá eu utilizava mais táxis”, lembra. Na chegada ao Mineirão, o que não faltavam eram voluntários à disposição para atender qualquer tipo de dúvida, tanto de torcedores como de jornalistas. Até mesmo os policiais, que já foram vistos agindo com truculência em diversas oportunidades, mostravam boa vontade para ajudar quem fosse necessário. Definitivamente, algo de outro mundo, mas dentro do Brasil. Salve a Copa. Resta saber se tudo isso vai embora assim que o Mundial acabar, como é previsto. A torcida é que pelo menos resquícios de tanta organização permaneça, para continuar atendendo quem vive e depende do futebol.