Obstáculos para faixa exclusiva

Sistema que dá exclusividade a ônibus fica prejudicado em avenida com grande fluxo de carros

iG Minas Gerais | Joana Suarez |


Sem vagas na via, condutores estacionam em passeios e meios-fios
FERNANDA CARVALHO / O TEMPO
Sem vagas na via, condutores estacionam em passeios e meios-fios

Motoristas confusos, lojistas insatisfeitos, pedestres prejudicados por carros no passeio, desrespeito às leis e entraves no caminho do transporte público. Este é o cenário na avenida Pedro II, em Belo Horizonte, um mês após a implantação da faixa exclusiva para ônibus. A expectativa da Empresa de Transporte e Trânsito de Belo Horizonte (BHTrans) é que a velocidade dos coletivos aumente em pelo menos 7 km/h em relação ao que ocorria antes.

Após percorrer a avenida na última semana, especialista em transporte e trânsito ouvido por O TEMPO afirmou, no entanto, que o sistema não vai funcionar como deveria, já que o local é tomada por carros e lojas. O fato de a faixa exclusiva ser do lado direito da pista faz surgirem obstáculos a todo momento, conforme explica o engenheiro civil Márcio José de Aguiar.

A maioria das lojas ao longo da avenida – principalmente de materiais de construção, de equipamentos e serviços para veículos – tem acesso a vagas de estacionamento, seja em garagens dentro dos estabelecimento ou no passeio, recuado.

“A faixa (exclusiva para ônibus) foi um curativo feito em uma via tomada por comércio. Pode haver pequena melhoria no início, mas o trânsito intenso vai continuar”, prevê. Para ele, o ideal é o corredor no meio da pista ser exclusivo, mas “a largura irregular da Pedro II não permite isso”.

Após a mudança, a velocidade média dos coletivos na avenida aumentou de 9 km/h para 20 km/h, segundo o diretor de Ação Regional e Operação da BHTrans, Edson Amorim. “Como estamos no período de férias, o deslocamento está mais rápido. Mas a expectativa é manter a média de 16 km/h”. Segundo ele, nos corredores exclusivos no meio da pista, a velocidade média das linhas do Move que param em todas as estações chega a 30 km/h – quase o dobro do esperado na avenida.

No horário de pico, a avenida está quase sempre congestionada, sem alteração na fluidez para os carros. “O motorista do carro fica ansioso para sair do engarrafamento e desrespeita a lei quando o trânsito está parado, e a faixa do ônibus livre”, pondera o especialista.

Confusão. Muitos motoristas não sabem que é permitido entrar na garagem porque há uma faixa contínua pintada no chão na porta da maioria das lojas. Também é possível parar na via rapidamente, sem estacionar.

Há transtorno também nas conversões à direita. “É arriscado sair da pista do meio, com fluxo rápido, para virar à direita, passando pela faixa onde os ônibus circulam”, diz Aguiar. Na esquina com a avenida Presidente Carlos Luz (Catalão), os carros quase batem porque muitos condutores não veem a faixa tracejada e viram à direita pela faixa do meio.

Saiba mais

Move. A faixa exclusiva para ônibus foi implantada na via para dar passagem ao Move. Por enquanto, há apenas uma linha do sistema circulando na avenida. Outras serão implantadas nos próximos meses. A avenida também vai ter ciclovia.

Prejuízo. Comerciantes reclamam que as mudanças causaram queda superior a 30% nas vendas. “Se houver muitos problemas, é melhor desapropriar as lojas”, opina o especialista Márcio Aguiar. A BHTrans informou que está em contato com os lojistas.

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