Juros pagariam 2 Itaquerões

Empréstimos de R$ 4,3 bilhões se transformarão em R$ 6,7 bilhões após término do financiamento

iG Minas Gerais |

Mineirão. Consórcio que reformou o Gigante da Pampulha vai pagar R$ 225 milhões em juros após 12 anos
MARIELA GUIMARAES / O TEMPO
Mineirão. Consórcio que reformou o Gigante da Pampulha vai pagar R$ 225 milhões em juros após 12 anos

Brasília. Assim que o apito final soar no Maracanã no próximo domingo, a maior parte da fatura da Copa do Mundo começa a ser cobrada de Estados, empresas e clubes de futebol que se endividaram para construir ou reformar os estádios usados durante o Mundial. O carnê é caro. Para garantir arenas com o padrão Fifa, os responsáveis pelas obras pegaram emprestados R$ 4,3 bilhões de bancos públicos e de um fundo de desenvolvimento regional.

O valor total do financiamento chegará a R$ 6,7 bilhões, considerando os juros que serão cobrados nos próximos 13 anos. A estimativa de gastos com juros – R$ 2,4 bilhões – foi feita à pedido do jornal “Folha de S.Paulo” por Jorge Augustowski, diretor-executivo de economia da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac), com base na cópia dos contratos disponíveis na página da Transparência do governo federal na internet.

Com esse dinheiro, seria possível construir duas arenas como o Itaquerão, estádio do Corinthians. Dos 12 estádios do Mundial, 11 tiveram suas obras bancadas, em parte, com o dinheiro emprestado pelos bancos. Apenas o Mané Garrincha, o mais caro (R$ 1,4 bilhão), foi erguido usando somente recursos do caixa do Distrito Federal.

No total, os 11 estádios custaram R$ 7,1 bilhões. Nessa conta está incluído o custo dos juros de quatro arenas. O dinheiro dos primeiros empréstimos começou a ser liberado em 2011. Como os contratos previam carência (prazo para o início do pagamento) de dois a três anos, as prestações só começaram a ser cobradas neste ano.

Para os que bateram na porta dos bancos mais tarde – como Corinthians, Internacional e Atlético Paranaense –, a conta só começará a ser cobrada em 2015. E ela não será barata. A primeira parcela do Corinthians terá de ser quitada em junho do ano que vem. O valor é estimado em R$ 4,8 milhões. Se a taxa de juros não mudar, o clube pagará o valor até o fim do contrato, de 155 meses (13 anos).

Apesar da conta salgada, o governo federal destaca que as obras geraram empregos e garantiram a realização de um evento que trouxe dividendos para a economia. Segundo o Ministério do Esporte, a construção e a reforma das arenas geraram 50 mil empregos diretos. A projeção de renda que será adicionada à economia brasileira com a Copa é de R$ 30 bilhões.

Os empréstimos para a construção dos estádios foram feitos com o mesmo critério de juros. Os bancos cobrarão a variação da TJLP (Taxa de Juros de Longo Prazo), calculada a cada três meses pelo governo federal, mais uma taxa de 1,9% a 3,4%.

Justificativas

“O Brasil é um país que tem competência e capacidade para organizar, em toda a sua complexidade, uma grande Copa. Isso significa aeroportos, estádios, segurança, transporte público e estrutura de comunicação.”

“Para cada R$ 1 de investimento público na Copa, obtém-se R$ 3,4 de investimento privado.”

Dilma Rousseff - presidente

Referencial

Taxa. Os contratos de empréstimo preveem que, se a TJLP ficar acima de 6% no ano, esse percentual extra só será cobrado ao final do empréstimo. Atualmente, a TJLP está em 5% ao ano.

Leia tudo sobre: Clique para inserir palavras chave