Não há favorito

iG Minas Gerais |

Além da garra que têm todos os atletas, de todos os países, de jogar uma Copa, tenho a esperança de que a ausência de Neymar ilumine e provoque, em todos os outros, sentimentos de superação, de orgulho, de ambição, de mostrar, para eles mesmos e ao mundo, que podem também ser protagonistas e que a seleção não depende tanto de Neymar. Hoje, quero ver Oscar ser mais que um bom coadjuvante e um bom prestador de serviços. Quero ver Hulk ameaçar, como tem feito, e também acertar o gol. Quero ver Fred ser muito mais do que um cone, um simulador de faltas e de pênaltis. Ele precisa jogar bem, mesmo se não fizer o gol. Se marcar, melhor ainda. Quero ver Willian (se entrar) mostrar que o gaúcho de bigode estava certo em convocá-lo. Quero ver todos se agigantarem.   A Alemanha possui também problemas. O time comanda o jogo, mas finaliza pouco, pois só tem um atacante agressivo, artilheiro, Müller. Os dois que atuam pelos lados marcam pouco os laterais. Marcelo e Daniel Alves (ou Maicon) podem se aproveitar disso. Independentemente do esquema tático e da escalação, o Brasil precisa pressionar os ótimos armadores alemães. Os três marcam e avançam, trocando passes. Como os zagueiros alemães atuam adiantados, seria bom explorar os espaços nas costas dos defensores. No coletivo, a Alemanha é superior. É um time mais coeso, mais harmônico, com um princípio e um fim. Já o Brasil é mais passional. Vive de sobressaltos, de espasmos individuais e coletivos. Se fosse um torneio de pontos corridos, a Alemanha, certamente, chegaria à frente. Já em uma partida de mata-mata, é frequente predominarem o imponderável, os lances isolados, aéreos (os três últimos gols do Brasil), o envolvimento emocional maior de quem atua em casa e, parafraseando Chico Buarque, o que não tem explicação nem nunca terá.

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