Período do desestímulo

iG Minas Gerais |

Como pode o PMDB, principal aliado do PT da candidata à reeleição Dilma Rousseff, ser aliado do PSDB de Aécio Neves em Estados como Bahia e Ceará? E o PSB, de Eduardo Campos e Marina Silva – que se pretendem a “nova política” –, se vai enfrentar tanto o PT quanto o PSDB na sucessão presidencial, como pode se aliar ao candidato a governador de um no Rio de Janeiro e ao do outro em São Paulo? Esses são dois exemplos de incongruência das eleições deste ano. Incongruências são mil, mas só na opinião de quem ainda avalia que partido, com sigla e bandeira, ainda deveria valer alguma coisa no campo ideológico. Assistimos nas últimas semanas às convenções partidárias e, mais recentemente, aos registros de candidatura na Justiça. Sim, já estamos no período eleitoral. Mas como também vivemos o clima dos dois últimos jogos da Copa do Mundo, nem dá para saber se já botaram os blocos na rua. As eleições começam como a Copa começou: chocha, sem graça. Uma razão é o próprio futebol, concorrente imbatível por espaço midiático. Mas o motivo principal é falta de tesão mesmo. Ouve-se tanta gente reclamar das coisas por aí e, colado à queixa, um arremate quase sempre infalível: “mas não tem em quem votar...”. Tome-se por base o eleitor mineiro. Por aqui, o PSB, postado como terceira via votável ao governo, cozinhava o dilema entre apoiar os tucanos ou lançar candidato próprio. No páreo como representante à disputa estadual, dois militantes atuantes. Mas o partido preferiu uma espécie de meio-termo e lançou Tarcísio Delgado, ex-prefeito de Juiz de Fora. Aos 79 anos, o candidato estava sem mandato e sem cargo político, ou seja, fora do “mercado”. Antes, Aécio havia sacado para a sucessão mineira o nome de Pimenta da Veiga, de cuja existência o eleitor mal se lembrava, e que disputara pela última vez um posto no Executivo em 1989, ou seja, praticamente ontem. Dizem que não morava em Minas há 20 anos. Será que tucanos e socialistas não teriam gente mais presente para os representar? Para fazer frente aos adversários, o PT deveria ter escolhido como candidato alguém com a vivência de um Virgílio Guimarães ou de um Carlão Pereira. Legendas periféricas também terão suas candidaturas a governador de Minas. Alguns são jovens promissores, de um anonimato pungente. Os famosos “quem?”. Não há dúvida de que um ou outro fará o papel de candidato laranja, aquele que, num debate, levanta a bola para um poderoso chutar. Essa tem sido a praxe nas últimas eleições. Passado algum tempo do processo eleitoral, esse concorrente cítrico é recompensado com um cargo de confiança por quem ajudou a eleger. Veremos esse filme de novo, e, neste saco, tem laranja bem cara. Já as chapas presidenciais, juntas, vão torrar R$ 1 bilhão na campanha. Como pode? É tanto dinheiro para convencer o eleitor mesmo ele sendo obrigado a fazê-lo! Ainda bem que o voto é compulsório, já que motivação cidadã não falta para referendar um nome na urna com mesmo zelo e respeito com que os partidos fizeram suas escolhas.

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