Invasão gringa fez bem para Belo Horizonte

Independentemente do resultado do jogo desta terça-feira, a capital mineira já ganhou uma experiência cosmopolita inédita em sua história.

iG Minas Gerais |

Simpatia. Colombianos invadiram a cidade no primeiro jogo que Belo Horizonte sediou e conquistaram nossa torcida
JOAO GODINHO / O TEMPO
Simpatia. Colombianos invadiram a cidade no primeiro jogo que Belo Horizonte sediou e conquistaram nossa torcida

Se encantar com a alegria colombiana para depois se surpreender com a esperança argelina. Juntar forças para torcer contra os argentinos, mesmo diante de seu entusiasmo contagiante, e em seguida aprender com os britânicos como ter atitude esportiva diante do fracasso. Essa foi a experiência do belo-horizontino durante a Copa do Mundo antes de, enfim, poder ir ao Mineirão torcer pela seleção brasileira em uma partida acirrada, em que a vitória só veio depois de uma angustiante disputa nos pênaltis, contra o Chile. Hoje, a cidade se prepara para se despedir do Mundial – oxalá com um triunfo diante da Alemanha. Porém, independentemente do resultado, a capital mineira já ganhou uma experiência cosmopolita inédita em sua história.

O ceticismo dos moradores com a Copa cedeu logo no primeiro jogo, com os mais de 20 mil colombianos invadindo a cidade. Eles estenderam a estadia, em alguns casos por mais de uma semana. “Fomos a quatro cidades no Brasil, mas Belo Horizonte foi disparada a melhor. A hospitalidade do mineiro não se compara a nenhum outro lugar”, avaliou Juan Garcia, representando os colombianos que ganharam a simpatia e a torcida dos mineiros.

Para chilenos e argentinos, pouco importou o conforto. Bastou uma vaga para estacionar seu motorhome ou armar sua barraca. Para quem não tinha nem ingresso, o importante foi estar perto da seleção e fazer da cidade onde o time ia jogar um pedacinho do seu país. “Torcemos com alma, e para isso não precisamos sempre estar no estádio”, disse o argentino Sebastian Rabinowicz, que veio de Rosário até Belo Horizonte em um ônibus com pinturas de Pelé, Maradona, Messi e Neymar.

Mesmo já desclassificados, ingleses cantaram durante todo o empate em 0 a 0 com a Costa Rica. Eles se recusaram a sair do estádio após o jogo e mostraram que nem sempre a vaia é a melhor reação diante de um fracasso.

Com mais de 140 mil estrangeiros, de mais de 60 nacionalidades diferentes, Belo Horizonte conseguiu ao menos mostrar que há um Brasil além de Rio de Janeiro, São Paulo e Amazônia. “O desafio agora é fazer essa experiência se estender para além da Copa, consolidando a cidade como um destino turístico para estrangeiros”, afirmou o presidente da Belotur, Mauro Werckema. Torre de babel Das 58 mil pessoas que devem estar no Mineirão para o jogo de hoje, pelo menos 29 mil serão estrangeiras, ou seja, 50% da capacidade do estádio. Os dados foram repassados pela Fifa à Belotur. Desse total, apenas 6.000 serão de alemães, e os demais, de diversas nacionalidades. A outra metade do estádio será de brasileiros. A taxa média de ocupação da rede hoteleira em junho foi de 61,31%. Porém, para o jogo de hoje, a ocupação é de 100% das vagas dos hotéis da cidade. Lado negativo Nem tudo foram flores no relacionamento das torcidas em Belo Horizonte. Na véspera do jogo entre Argentina x Irã, uma briga generalizada acabou com o clima amistoso entre brasileiros e argentinos. Houve guerra de garrafas, a polícia precisou intervir, e uma pessoa foi presa. Outro fato triste foi o atropelamento de um turista inglês por um motociclista que não prestou socorro. O turista foi atendido no Hospital de Pronto-Socorro João XXIII e já recebeu alta.  Festa na Savassi A Savassi transformou a Fan Fest em coadjuvante e foi o principal ponto de encontro de torcedores na capital e o local preferido dos estrangeiros. As festas na região não se restringiram aos dias de jogos na capital, eela foi palco de um quase Carnaval fora de época. Além da confraternização de torcedores e da mobilização para assistir às partidas, o que não faltou foi paquera em língua estrangeira.  Casa sobre rodas  Argentinos e chilenos dispensaram os serviços da rede hoteleira de Belo Horizonte e chegaram à cidade para acompanhar suas seleções em motorhomes ou munidos de barracas para pernoitar. A Prefeitura de Belo Horizonte cedeu o Parque Ecológico da Pampulha e o Parque Lagoa do Nado para receber nossos vizinhos sul-americanos. Somente do Chile vieram mais de 800 motorhomes. Além de jogarem em Belo Horizonte, Argentina e Chile também escolheram a região metropolitana como local de seus centros de treinamentos. Os chilenos ficaram na Toca da Raposa II e se despediram da cidade após serem eliminados pelo Brasil no Mineirão. Os argentinos continuam na Cidade do Galo. 

 

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