Demolição é retomada nesta terça, e pista deve ser liberada na 5ª

Antes da liberação, no entanto, estrutura da segunda alça do elevado ainda será avaliada

iG Minas Gerais | Jhonny Cazetta e Luiza Muzzi |

Trabalho. Durante todo o dia de ontem, um trator (foto) quebrava o concreto, e uma solda cortava a estrutura de ferro
UARLEN VALERIO / O TEMPO
Trabalho. Durante todo o dia de ontem, um trator (foto) quebrava o concreto, e uma solda cortava a estrutura de ferro

A avenida Pedro I, em Belo Horizonte, deve ser liberada para o trânsito nesta quinta-feira. A demolição do viaduto Batalha dos Guararapes, que desabou na última quinta, matando duas pessoas e ferindo outras 23, teve início ontem e deve terminar ainda hoje. Depois, devem começar a limpeza e a reconstituição da avenida, que só então será liberada para o tráfego. Tudo depende, no entanto, de uma vistoria na alça do elevado que ainda está de pé. Se houver risco, a interdição pode ser prorrogada.

A demolição começou às 9h34, e envolveu cerca de 110 pessoas, entre operários, agentes da Defesa Civil, dos bombeiros e peritos da Polícia Civil. Três tratores, chamados de rompedores hidráulicos, operaram no local. Eles foram usados para quebrar o concreto. Em seguida, dois caminhões-pipa eram usados para inibir a poeira. Por fim, uma tesoura hidráulica era usada para cortar os ferros da estrutura, e duas máquinas retiravam o entulho.

A cada 30 minutos, o trabalho era interrompido por cinco minutos para um monitoramento de segurança – o temor são possíveis abalos. “É um intervalo importante para verificarmos se houve alguma alteração no pilar do viaduto e se ocorreu alguma trinca nos edifícios ao lado e na alça restante da obra”, explicou o coordenador da Defesa Civil municipal, coronel Alexandre Lucas. Segundo ele, o prazo de conclusão da demolição está estimado em até 48 horas. Até a tarde de ontem, mais de 50% do trabalho havia sido concluído, com a demolição do trecho do viaduto sobre as pistas no sentido Confins.

“Mas tudo depende das medições que estão sendo feitas, da evolução do outro viaduto e das condições de segurança do entorno”. Após a retirada do entulho, será feita uma nova vistoria na segunda alça, nos prédios vizinhos e na avenida. “O prazo é modificado em função do sucesso dos trabalhos”, disse Lucas.

Além disso, a Polícia Civil irá fazer uma sondagem do solo. A intenção dos peritos é checar se houve problema de fundação ou no projeto. O entulho também será periciado.

Protesto. No fim da tarde, cerca de dez pessoas protestaram na região, alegando que a demolição é uma forma de “remover provas”. O presidente do Instituto Brasileiro de Avaliações e Perícias de Engenharia de Minas (Ibape-MG), Frederico Lima, afirmou que o processo não interfere na investigação. “Não é todo o viaduto que está sendo demolido, somente a parte que está sobre as pistas”, explicou.

Presidência

A presidente Dilma Rousseff (PT) falou ontem sobre o desabamento do viaduto Batalha dos Guararapes durante conversa com internautas em uma rede social. De acordo com a petista, “a Prefeitura de Belo Horizonte é responsável pela execução da obra do viaduto e também pela fiscalização da empresa contratada (Cowan)”. Dilma afirmou ainda que “o governo federal aguarda que a prefeitura nos entregue o laudo pericial sobre as razões da queda do viaduto”. A Polícia Civil ainda trabalha na perícia no local do acidente – o prazo para conclusão do trabalho é de 30 dias. Acordo Um termo de compromisso foi assinado entre os moradores do condomínio ao lado do viaduto e a Coordenadoria da Defesa Civil da capital. No documento, ficou acertado que uma comissão eleita pelos moradores irá acompanhar os trabalhos de demolição e também de monitoramento de risco feito pela Defesa Civil. Para isso, eles receberam um crachá de identificação com acesso ao lugar onde as intervenções estão sendo feitas. “Estamos vivendo em um caos e o mínimo que precisamos é de informação e de apoio dos responsáveis”, afirmou a moradora Glaucilene Moreira, 40. Trânsito ruim

O dia voltou a ser de trânsito ruim para motoristas do Vetor Norte de Belo Horizonte. Houve registro de congestionamento, segundo a BHTrans, nas avenidas Padre Pedro Pinto, Vilarinho, Cristiano Machado e nas ruas Doutor Álvaro Camargos e São Pedro do Havaí – todas as vias são indicadas como parte dos desvios da Pedro I. Já a Polícia Militar Rodoviária (PMRv) informou que a situação foi crítica no sentido capital da rodovia MG–010, a Linha Verde, que liga o Aeroporto Tancredo Neves ao centro de Belo Horizonte – foram até 6 km de congestionamento.   Saiba mais

A tragédia. O viaduto Batalha dos Guararapes, na Pedro I, em Venda Nova, desabou às 15h10 da última quinta-feira. Dois caminhões, um carro e um micro-ônibus foram esmagados. Hanna Cristina Santos, 25, que dirigia o coletivo, e Charlys Moreira do Nascimento, 25, condutor de um Uno, morreram no local. Outras 23 pessoas se feriram.

O que causou. Não há ainda um laudo oficial de perícia, mas engenheiros que acompanham os trabalhos acreditam que tenha havido uma falha na fundação, que o solo não seja compatível com o projeto do elevado ou que tenha havido perda de atrito das estacas, já que a pilastra do meio afundou 6 m.

Ontem. O trabalho começou ontem às 9h34, foi interrompido durante a noite e deve ser retomado hoje cedo. A empresa que faz o serviço é a Solum, contratada pela Cowan, responsável pela construção do viaduto. São cerca de 110 pessoas no local, entre operários, peritos, engenheiros e policiais. Tratores com uma broca são usados para quebrar a estrutura em pequenos pedaços, que estão sendo levados para um local de despejo em caminhões.

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