Sem Neymar, chegou a hora de coadjuvantes assumirem o papel principal

Passados três dias desde o fatídico incidente com o camisa 10, os comandados de Felipão precisam deixar o passado e recomeçar

iG Minas Gerais | JOSIAS PEREIRA |

De goleador ao status de cone: Fred pode dar fim ao inferno astral na Copa diante da Alemanha
DOUGLAS MAGNO/O TEMPO
De goleador ao status de cone: Fred pode dar fim ao inferno astral na Copa diante da Alemanha

“Não importa aonde você parou... Em que momento da vida você cansou... O que importa é que sempre é possível e necessário ‘recomeçar’”, já dizia o poeta. Na última semana, a seleção brasileira perdeu sua principal estrela. Após uma entrada desleal do colombiano Zuñiga, Neymar sofreu uma fratura na coluna e foi cortado da Copa do Mundo. A notícia, como não poderia deixar de ser, abalou o plantel brasileiro. No entanto, passados três dias desde o fatídico incidente, os comandados de Felipão precisam deixar o passado e recomeçar. Mais do que nunca, esta é a hora de até então coadjuvantes assumirem o papel principal.

Quando a lista de Luiz Felipe Scolari foi anunciada, pouco se questionou sobre a qualidade da safra brasileira. Um nome ou outro era defendido com mais vigor, no entanto, todas as críticas minguavam. Parecia tudo perfeito. Só parecia. Quando a bola começou a rolar, o que se viu foi uma equipe muitas vezes perdida em campo.

A falta de criatividade notória no meio-campo evidenciou um buraco difícil de ser preenchido. Vieram alguns testes e a mudança principal. A entrada de Fernandinho no lugar de Paulinho.  Mas nada disto se mostrou eficiente.  Enquanto o meio-campo não criava, o ataque pouco produzia. Principalmente Fred, que do status de goleador passou a “cone”, “poste” e todas as outras brincadeiras que só a internet é capaz de produzir.

Em uma atitude um tanto que desesperadora, Felipão escancarou suas dúvidas à imprensa e admitiu que se pudesse voltar no tempo uma modificação na lista de convocados seria feita. Poucos dias depois, veio então o choque.

O comandante não contava com a ausência de Neymar. Ninguém esperava. A seleção nunca teve um plano B, os próprios jogadores admitiram isto. “Ninguém esperava que isto (lesão de Neymar) acontecesse. Nem ele (Felipão), nem nós jogadores, muito menos o povo brasileiro. Ninguém se preparou para ficar sem o Neymar”, afirmou o jovem Bernard.

Seria então este o fim do sonho do hexa? Calma, torcedor! Nem tudo está perdido. Quem já jogou em alto nível um dia, não desaprende de uma hora para outra. No Mineirão, nesta terça-feira, pilares da equipe que há um ano conquistou a Copa das Confederações precisam retomar a boa forma e assumir o papel de destaque. Esta é a esperança de Felipão, e também a esperança de todo o povo brasileiro.

Dante

Abram passagem. O jogador que até pouco tempo atrás era figura desconhecida do povo brasileiro. Quando o nome Dante era dito, todos se lembravam do craque do vôlei. Mas o zagueiro do Bayern de Munique conquistou seu espaço e agora tem a difícil missão de substituir Thiago Silva. Se serve de consolo, Dante sempre esteve lá, no território inimigo. Amigos, amigos, negócios à parte. Os brasileiros almejam que todos os dotes de espião do defensor cabeludo estejam apurados nesta terça.

Daniel Alves 

Se será titular ou não, esta decisão cabe a Luiz Felipe Scolari. Durante esta Copa do Mundo, várias foram as vezes que os torcedores xingaram Daniel Alves. Desastrosas subidas ao ataque, desastrosas tentativas na defesa. Mas um jogador que defende as cores do Barcelona desde 2008 tem algum valor. Diante da Alemanha, caso surja na lista dos 11 titulares, a expectativa é que Daniel Alves reviva seus melhores dias. 

Marcelo

No ano passado, as tabelas puxadas por Neymar e Marcelo na ponta esquerda foram um dos fatores que diferenciaram o ataque brasileiro. Na Copa do Mundo, o lateral do Real Madrid anda meio tímido. Uma preocupação excessiva com a defesa tem impedido que o jogador dê o seu melhor. Foi atuando com ousadia que ele fez seu nome na Europa e conquistou inúmeros títulos pelo Real Madrid. Está na hora desta ofensividade voltar.

Paulinho

Sua presença contra a Alemanha ainda não foi confirmada por Felipão, no entanto, o volante está muito longe das atuações impactantes do ano passado. Sua força na marcação e a qualidade na saída de bola encantou os brasileiros na Copa das Confederações. E olha que Paulinho ainda teve tempo para surgir como elemento surpresa e balançar as redes adversários. Gols importantíssimos como aquele marcado na vitória sobre o Uruguai por 2 a 1, nas semifinais do torneio preparatório para o Mundial.

Oscar 

Contra a Croácia, Oscar encheu os olhos da torcida brasileira. Que raça, que determinação! Não tinha uma bola perdida para o camisa 11. Mas foi só. Depois disto, o jovem meia se perdeu e vem lutando para retomar a força ofensiva e criativa que sempre o caracterizou. Quem sabe contra a Alemanha, aquele Oscar aguerrido e pensante não é despertado?

Willian

Sem Neymar, ele é cotado como a primeira opção. Habilidoso, o meia-atacante sabe que não possui características próximas ao do camisa 10. "Não tem como comparar o Neymar com outros jogadores. Eu tenho um estilo diferente, talvez a gente seja parecido na velocidade, no drible. O Neymar é mais um atacante, eu sou mais um meia-armador que gosta de servir os companheiros”, afirma. No entanto, a possibilidade de iniciar como titular da seleção brasileira pela primeira vez o empolga. Novo Amarildo? Só o tempo dirá.

“Se o Felipão optar por mim, estou pronto para fazer o meu melhor. Já ouvi algumas histórias (sobre o Amarildo). Isto não passou pela minha cabeça, mas a gente procura estar pronto. Nunca joguei de titular na seleção, estrear como titular em uma semifinal de Copa seria incrível para mim”, completa o cabeludo Willian. 

Bernard

Ele corre por fora na briga por ocupar a vaga de Neymar. Porém, Bernard é de casa. Conhece os atalhos do Gigante da Pampulha. Foi no Mineirão que o jogador viveu sua maior glória como jogador – a conquista do inédito título da Libertadores pelo Atlético. Foi lá também que Felipão abafou os apelos por Lucas e resolveu dar uma chance a Bernard justamente contra o Uruguai, na semifinal da Copa das Confederações. Nos treinamentos na Granja Comary, Bernard é a velocidade em pessoa, mas seu estilo “foguete e menino” virou alvo de críticas. Quem sabe esta não seja a hora do garoto do Barreiro brilhar?

Hulk

Ninguém pode falar que ele não está tentando. Mas ainda falta aquele golzinho para tirar todo o peso. Quando a seleção começa a passar por instabilidades, uma das primeiras “cabeças” pedidas pela torcida é a de Hulk. Mas o camisa 7 vem se esforçando. Na base da força física, do chute explosivo, aos trancos e barrancos, esta pode ser a hora do jogador honrar o nome do herói que ostenta como apelido.

Fred 

Ele já foi mais querido. Agora é o mais criticado. Chegou com status de goleador do futebol brasileira na Copa do Mundo, mas até agora balançou as redes uma única vez. Nunca é bom cutucar onça com vara curta, mas no caso de Fred talvez seja bom que todas as críticas continuem. A esperança é que, na hora certa, toda esta seca seja revertida em uma chuva de gols. A Alemanha seria um adversário bem apropriado para que este fenômeno da natureza aconteça.