Pais de menino que morreu afogado são indiciados por homicídio culposo

Acidente aconteceu no dia 1º de junho em Contagem; casal pode receber o "perdão judicial" ou ser condenado de um a três de reclusão

iG Minas Gerais | CAROLINA CAETANO |

BAIRRO CABRAL - Menino de 4 anos se afoga em piscina de prédio residencial em Contagem
Um médico também deslocou de helicóptero para o atendimento
Valdecir Reis de Oliveira / Webrepórter
BAIRRO CABRAL - Menino de 4 anos se afoga em piscina de prédio residencial em Contagem Um médico também deslocou de helicóptero para o atendimento

Os pais do pequeno Theo Franco Vasconcelos, de 3 anos, que morreu afogado na piscina do condomínio onde morava, em Contagem, na região metropolitana de Belo Horizonte, foram indiciados por homicídio culposo, quando não há intenção de matar. O inquérito foi concluído e entregue à Justiça na última quinta-feira (3).

De acordo com o delegado responsável pelo caso, Otávio Luiz de Carvalho, durante as investigações, ficou constatado que o casal foi omisso ao deixar a criança brincar na área externa do condomínio sem a supervisão de um adulto. O acidente aconteceu no dia 1º de junho deste ano.

“Conversando com os vizinhos e analisando as imagens das câmeras de segurança do prédio, percebemos que o Theo ficou com um amigo de 4 anos sozinho por quase uma hora, sendo que 15 minutos eles ficaram na borda da piscina jogando folhinhas e pedrinhas”, explicou o delegado.

Ainda segundo ele, no momento do acidente, os pais do menino faziam um churrasco dentro do apartamento e estavam com a porta da sala trancada. Em conversa com Carvalho, o casal confirmou que a criança tinha o costume de brincar sem acompanhamento de um responsável na parte de fora do prédio.

“Uma grade separa a piscina do restante da área de lazer. Porém, existe um vão em que as crianças conseguiam passar, e os pais sabiam disso. Inclusive, os moradores já haviam realizado uma assembleia e discutido o caso, mas não aprovaram o fechamento por terem outras prioridades. O condomínio não será responsabilizado criminalmente”, contou Carvalho.

O delegado destacou que o casal pode receber o “perdão judicial”, onde a dor da perda se sobrepõe a punição e, mesmo condenados, os pais fiquem isentos de cumprir a pena. No entanto, eles também podem pegar de 1 a 3 anos de reclusão, tempo para o crime de homicídio culposo, que pode ser substituída por pena alternativa.

“Entendemos a dor da família, mas, nesse caso, ficou confirmado a negligência dos pais, que tinham o dever de fiscalizar o filho. Uma criança de 3 anos não tem condições de se defender dos perigos. Agora, cabe ao juiz definir o que será feito”, disse Carvalho.

Menino de 4 anos tentou salvar Theo

As investigações mostraram que a criança que acompanhava Theo nas brincadeiras tentou salvar o amigo. A vítima tentou pegar uma pedrinha que havia caído na água quando se desequilibrou e caiu. Ao perceber a queda, o outro menino tentou puxar Theo, mas não conseguiu.

“Além de usar umas das mãos, a criança ainda colocou a perna na água para que Theo se apoiasse, o que poderia ter provocado um outro afogamento”, disse o delegado.

As imagens das câmeras de segurança mostram que o garoto ficou cerca de nove minutos se debatendo dentro da piscina, até que a outra criança foi buscar ajuda com um adulto.

“O menino chegou perto de um dos moradores e tentou contar o que havia acontecido, mas encontrou dificuldades de se comunicar e apenas disse o nome do Theo. Percebendo que a perna da criança estava molhada, a pessoa foi até a piscina e descobriu o que havia acontecido”, disse Carvalho. 

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