A corrupção e o tráfico de drogas

iG Minas Gerais |

Dados publicados pelo Conselho Nacional de Justiça informam que o Brasil tem 14 mil políticos inseridos no universo dos fichas-sujas. Trata-se do pequeno grupo de homens públicos que foram alcançados pelo Poder Judiciário em ações com as quais engordaram substancialmente suas reservas privadas. Indevida e criminosamente. Diz-se pequeno grupo porque na verdade o Judiciário brasileiro é moroso, ineficaz e muito seletivo nas suas conclusões, fazendo com que a corrupção, a falsidade ideológica e o peculato, esses os crimes praticados contra o patrimônio público mais comuns, não sejam afetados na sua apuração. Milhares de processos são arquivados e seus réus beneficiados pela prescrição das penas, dado o extenso caminho que percorrem os processos, desde a denúncia até o trânsito em julgado, em todos os graus de recursos, das respectivas sentenças condenatórias. As práticas usadas por uma classe de gestores públicos para meterem no bolso recursos do erário, segundo as estatísticas, são muito comuns, surradas e frequentes, o que não deveria fazer arrastar por tanto tempo os processos judiciais abertos para se apurarem culpados. Nas eleições passadas, de prefeitos e vereadores, por exemplo, um contingente imenso de candidatos driblou os controles da Justiça e conseguiu êxito no registro de suas candidaturas, valendo-se de artifícios processuais meramente protelatórios, nem um pouco inovadores, conquistando mandatos que lhes abririam as portas dos cofres, muitos desses já esvaziados por eles mesmos, em mandatos anteriores. Essa realidade está cada dia mais presente e intocada. A corrupção de agentes públicos, quando punida por sentença condenatória, não consegue trazer de volta os recursos furtados. Se são bloqueados bens dos investigados esses seguem a disposição e uso dos réus até o final dos processos, muitos dos quais se encerram sem qualquer punição dos implicados, por absoluta ineficiência do Judiciário. No Brasil, apesar de toda cena montada pelo STF para julgamento do mensalão, o mais emblemático processo de corrupção praticado no Brasil, seus resultados demonstram que o crime compensa. Para essa gente presa, as penitenciárias têm sido colônias de férias. De nenhum dos candidatos a Presidência, aos governos dos estados, ao Senado e a outros cargos do legislativo, ouviu-se como proposta honesta, como uma bandeira, a criação de instrumentos legais dedicados ao combate dos crimes contra o patrimônio público. A corrupção e o tráfico de drogas, ombro a ombro, são os nossos maiores males, os geradores das tragédias sociais que temos a vista. Enfrentá-los prioritariamente deveria ser um projeto nacional. Se não são combatidos, ambos, é porque não interessa a quem pode, combatê-los. Por isso, não merece o voto de qualquer cidadão o candidato que não demonstre seu repúdio a esse flagelo que vivemos.

Leia tudo sobre: Clique para inserir palavras chave