Padrão Fifa irá embora sem deixar nada pra trás

iG Minas Gerais | Thiago Nogueira |

Logística. Exigências da Fifa modificam completamente a maneira de torcedores chegarem ao estádio para ver jogos
LEO FONTES / O TEMPO
Logística. Exigências da Fifa modificam completamente a maneira de torcedores chegarem ao estádio para ver jogos

Nesta terça, o Mineirão recebe a semifinal da Copa do Mundo e, assim, Belo Horizonte se despede do maior evento esportivo já realizado na história da cidade. É hora de cair na real e fazer valer o sentido da palavra legado. Mas, afinal, o que a competição trouxe de experiência para os gestores públicos e do futebol?  

Em princípio, tudo volta ao normal. No estádio, o padrão Fifa de operação não será mantido nem pela Minas Arena, a gestora do estádio, nem pelos órgãos do governo e da prefeitura. Nada de Fans Walks, raio de estacionamento restrito de 2 km ou ônibus especiais – os chamados Terminais Copa – posicionados em diversos pontos estratégicos da cidade.

“O modo de operação da Fifa é particular. A gestão de quem opera é diferente. É um evento mundial. Os torcedores veem para torcer por seleções. O trajeto, o transporte, a segurança, os voluntários, os patrocinadores, os bares, tudo é diferenciado”, ressalta o gerente de operações da Minas Arena, Severiano Braga.

Uma das alterações mais sentidas é com relação ao estacionamento do estádio, que não é utilizado durante a Copa. A partir do dia 17, no jogo entre Cruzeiro e Vitória, o torcedor volta a acessar a arena de carro, estacionando nas vagas internas.

A Fifa, com seus diversos patrocinadores, aproveita o espaço da esplanada como entretenimento pré-jogo, algo que a Minas Arena pretende intensificar de agora em diante. “Mas vamos tentar uma maneira melhor de aproveitar a esplanada”, afirma Braga. Em um ano e meio de operação do novo Mineirão, foi difícil estabelecer grandes contratos de publicidade e promoção justamente pelos períodos em que o estádio ficou entregue à Fifa para as Copas das Confederações e do Mundo.

Permitida na Copa, a venda de bebidas alcoólicas não será tolerada em competições nacionais após o torneio mundial. A exceção no período foi acordada entre governo e organizadores através da Lei Geral da Copa. Uma permissão agora dependeria de complexas discussões.

Transporte. No deslocamento do torcedor para o estádio, a principal herança é o sistema Move (nome dado ao BRT da capital). São pistas de ônibus exclusivas pela avenida Antônio Carlos, uma das principais vias de acesso ao Mineirão.

Para membros da sociedade civil organizada, as obras, no entanto, não podem ser tratadas como legado da Copa. “Elas fazem parte do desenvolvimento sustentável e urbano da cidade. E o BRT era a opção financeira mais barata devido ao tempo. Mas a gente sabe que o metrô seria muito mais necessário”, avalia Adriana Torres, do Movimento Nossa BH.

Diagnóstico Policiamento. O número de policiais visto no patrulhamento das ruas de Belo Horizonte deve diminuir com o fim da operação de Copa. Os militares do Batalhão Copa, montado com policias que ainda não se formaram, voltarão a se reunir para atuar nas Olimpíadas, em 2016. Turismo. Belo Horizonte, pouco conhecida no exterior em comparação a Rio de Janeiro e São Paulo, agora, terá novos promotores mundo afora. A maioria elogiou a capital mineira, mesmo sendo uma cidade sem praia. Trânsito. A Copa aconteceu em pleno período de férias, quando há 30% a menos de veículos rodando pela cidade. Contas. Nos próximos meses, o país sentirá os reflexos da Copa na economia. O comércio e os setores de serviço, em especial o hoteleiro, funcionarão como termômetro para medir os benefícios do Mundial por aqui.

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