Que tal um preço com cartão e outro para pagar em dinheiro?

Projeto está em análise na Câmara dos Deputados; preços diferenciados poderiam ser cobrados

iG Minas Gerais | Juliana Gontijo |

Custos. Quando pagamento é feito com cartão de crédito, lojista recebe dinheiro da venda <CW-34>após 31 dias
GUSTAVO BAXTER / O TEMPO
Custos. Quando pagamento é feito com cartão de crédito, lojista recebe dinheiro da venda após 31 dias

Como você reagiria ao chegar a uma loja e ser informado de que os preços com cartão de crédito e em dinheiro vivo são diferentes? O Projeto de Decreto Legislativo 1476, de 2014, que está em análise na Câmara dos Deputados e permite aos comerciantes cobrarem preços diferenciados por mercadorias pagas nessas modalidades de pagamento, está longe de ser unânime. Há argumentos contra e favoráveis à proposta. De um lado, existe a defesa da segurança e praticidade do cartão. Logo, não deveria ser feita distinção. De outro, lojistas afirmam que seria possível conceder descontos à vista que poderiam chegar até a 10% do preço do produto.

O texto do deputado Guilherme Campos (PSD-SP), se for aprovado, suspenderia a Resolução 34/1989 do Conselho Nacional de Defesa do Consumidor que proíbe a prática de preços diferentes para pagamento com cartão ou em dinheiro. O coordenador do curso de gestão de negócios em comércio e vendas da FGV/IBS, Fernando Marchesini, avaliou negativamente a proposta. “Se aprovado, o projeto vai dar confusão. Não vai ser bom para o consumidor. Afinal, a maioria das pessoas não tem o hábito de calcular os juros”, diz. Ele ainda ressalta que, na prática, quando o consumidor pede um desconto para pagar à vista, muitas vezes não consegue. “Há empresas que querem empurrar o crediário. Falam que o preço à vista é o mesmo do pagamento das parcelas. Só que isso não existe, nas prestações estão embutidos os juros”, afirma. Defesa. Já o vice-presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte (CDL-BH), Marco Antônio Gaspar, defende o projeto. “Os Procons não conseguem entender que a diferença no preço para o dinheiro e o cartão de crédito é benéfica para o consumidor”, avalia. Ele argumenta que a venda feita com cartão de crédito pesa mais para o lojista. Gaspar ressalta que o empresário varejista tem que arcar com a taxa da administradora do cartão que varia de 3% a 5% sobre a venda. Isso, além do aluguel da máquina, que oscila de R$ 90 a R$ 150. “E não é só isso. O lojista só recebe o dinheiro da compra feita no cartão 31 dias depois da transação. Se ele precisar antecipar, paga, em média, 2% do valor da venda”, explica. Ele afirma que, se o projeto for aprovado, o consumidor pode conseguir descontos de 3% a 10%, dependendo da área de atuação da empresa e de seu porte. “O que é possível, já que, com o pagamento em dinheiro, não há taxas, e o lojista recebe na hora”, diz.

Lojistas não acreditam que projeto passe no Congresso Apesar de apostarem que os clientes gostariam de ter um desconto para o pagamento em dinheiro, representantes de lojas dizem não acreditar que o projeto vai obter sucesso. “Como consumidor, eu gostaria de ter um desconto e pagar em dinheiro. Só que hoje a diferença de preço para dinheiro e cartão de crédito é proibida”, diz o gerente da Praça Sete Calçados Manoel Reis. Ele afirma que não acredita que o projeto seja aprovado. A mesma opinião tem o gerente da loja de roupas masculinas o Grande Camiseiro, Geraldo Gomes Júnior. “Não vai para frente”, diz. Ele conta que, caso a ideia seja aprovada, poderia dar um desconto para o pagamento em dinheiro de 5%. “Pode parecer pouco, mas nenhuma aplicação financeira remunera mais que isso”, frisa. O funcionário público Cássio Murilo Sales diz que, dependendo do desconto, pagaria em dinheiro. “Acho a ideia boa”, diz. Já a assistente fiscal Iêda Vignolli conta que não gostou da ideia. “O cartão hoje facilita a vida”, frisa.

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