As gerações do jazz mineiro

A velha guarda se junta à juventude em novo festival que traz medalhões do estilo junto com novos músicos

iG Minas Gerais | Deborah Couto |

Cena nova. O Dibigode apresenta músicas inéditas no show em formato intimista do Jazz das Gerais
Tomas Arthuzzi
Cena nova. O Dibigode apresenta músicas inéditas no show em formato intimista do Jazz das Gerais

A Funarte recebe entre esta terça e 12 de julho o festival Jazz das Gerais. Inédito, o evento reúne alguns dos principais nomes do jazz mineiro – como Juarez Moreira e Clóvis Aguiar (que terá, em seu show, a participação do lendário Esdras “Neném”) – com expoentes da novíssima geração, como é o caso da banda Dibigode.

Local pouco conhecido por receber eventos desse tipo, a escolha da Funarte não foi por acaso. “Optamos por um local que recriasse a atmosfera de um clube de jazz”, conta o produtor e um dos idealizadores do festival, Carlos Dalla. Ele ainda afirma que a escolha por diferentes gerações do jazz mineiro teve um propósito. “Isso faz com o público seja diversificado e traga também gente jovem ao festival. É o que a gente espera”, afirma.

Figura conhecida na cena musical de Belo Horizonte, Juarez Moreira é influência para quase todos os músicos que se apresentarão no festival. E tem uma explicação para isso. “Faço parte de uma geração pós-Clube da Esquina que optou por ficar em Belo Horizonte. Isso fez com que mantivéssemos uma tradição nossa. Um modo de fazer”, diz. Não é à toa que a cena local é tão rica. “Minas é considerada uma grande meca do jazz. Temos mais festivais que outras capitais e estamos em plena efervescência cultural, com uma nova geração riquíssima”, afirma Juarez.

Gente nova na casa. Um dos pupilos de Juarez é o mineiro radicado em São Paulo João Antunes, que se apresenta no último dia de festival. Com uma diversidade de influências que vai de Led Zeppelin a Debussy, João pretende adaptar seu repertório para esse show. “Por estar em um festival de jazz, selecionei minhas músicas mais próximas do estilo. Também faço muita música brasileira (samba e baião)”, diz. Para Antunes tocar em um festival assim só tem coisas boas. “É muito legal ter meu nome junto com o de Juarez, que foi meu professor, e também estar ao lado do Dibigode, que chegou há pouquíssimo tempo na cena musical e já faz um som muito bacana”, diz ele.

Para João, o jazz mineiro vai muito bem, obrigado. “Morando em São Paulo consigo ter um olhar mais ‘de fora’. E o panorama da cidade é muito rico, basta vermos a quantidade de festivais que a cidade tem. A produção está muito viva. Há trocas de eventos daqui com festivais de Nova York, por exemplo. Só temos a crescer”, diz.

Tiago Eiras, baterista da Dibigode, se sente igualmente honrado por estar no Jazz nas Gerais. “Vários dos nomes que vão tocar no festival são influências diretas para nós”, conta. Eiras diz que ele e seus colegas de palco se sentiram surpresos com o convite. “O Dibigode não é, definitivamente, uma banda de jazz. Mas, por usarmos essa linguagem de improvisação, acabamos entrando em alguns festivais do tipo. A experiência vai ser nova, inclusive pelo formato da apresentação, intimista. Estamos acostumados com casas de rock, em que as pessoas conversam e bebem enquanto tocamos”.

Agenda

O que. Festival Jazz das Gerais

Quando. Desta terça a 12 de Julho, às 20h

Onde. Funarte. Rua Januária, 68, Floresta

Quanto. Entrada franca

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