Uma mistura sem rótulos

1º Festival Vozes do Brasil reúne duetos inéditos no palco, como Marina Machado e Marcelo Jeneci, Karina Buhr e Marina Lima, e Ana Cañas e Flávio Renegado

iG Minas Gerais | LUCAS SIMÕES |

Karina Buhr. Recifense faz show com som moderno e vocal forte
Diego Ciarlariello/divulgação
Karina Buhr. Recifense faz show com som moderno e vocal forte

Há 15 anos, Maria Rita se afirmava como a nova voz da MPB, os Los Hermanos surgiam como esperança de rimas para a geração Y, bandas de rock como CPM 22 e Pitty pipocavam em um circuito fechado, e o funk começava a se expandir além da periferia com o Bonde do Tigrão. Nos anos 2000, em um tempo que os nichos musicais se definiam por estilos bem certos, a jornalista Patrícia Palumbo percebeu um movimento diferente de novos artistas procurando a ausência de rótulos duros. “Nessa época era nítido quem fazia rock, samba, axé, não tinha tanta mistura sonora. Aí criei o Vozes do Brasil no rádio para receber artistas novos ou não, que estavam mudando isso”, diz.

Prestes a completar 16 anos em novembro, um dos principais programas de rádio do país dá origem ao primeiro Festival Vozes do Brasil, a partir desta terça e até 12 de julho, com uma série de cinco shows gratuitos, no Teatro Oi Futuro Klaus Viana. No palco, a versatilidade de duetos entre as diferentes gerações: Karina Buhr e Marina Lima, Anelis Assumpção e Zélia Duncan, Paulinho Moska e Pedro Morais, Marina Machado e Marcelo Jeneci, e Ana Cañas e Flávio Renegado. Organizado por Patrícia Palumbo em parceria com Danusa Carvalho, da Casulo Cultura, o primeiro encontro entre Paulinho Moska, 46, e Pedro Morais, 32, está marcado para esta terça, a partir das 21h. De um lado, o compositor carioca com 20 anos de carreira, gravado por Adriana Calcanhotto e Zeca Baleiro, que se prepara para estrear com o samba-enredo “Último Dia”, pela Mocidade Alegre de Padre Miguel, no Carnaval de 2015 (“vou cantar ou sair de baiana, um dos dois”, brinca). Do outro, o compositor mineiro que começa a despontar das montanhas e invadir as rádios do Rio de Janeiro, com o terceiro disco recém-lançado, “Vertigem”, com produção assinada por Gustavo Ruiz, irmão e principal parceiro das composições envolventes de Tulipa Ruiz. “Já toquei com o Pedro algumas vezes e acho ele ótimo instrumentista – agora trocou o violão pela guitarra – e tem se tornado um bom letrista também. A gente fala a mesma língua de melodias”, diz Moska. Baseado nessas afinidades, o repertório da parceria vai incluir três canções do último disco de Pedro Morais, “Vida”, “Para Repetir” e “Bilhete”, além de sucessos do carioca, como “Admito que Perdi” e “Pensando em Você”. PRIMEIRA VEZ. Nesta quarta-feira, o primeiro encontro inédito do festival é entre o lirismo de Marcelo Jeneci, 31, que se firma como um dos principais compositores dessa geração, e a voz arranhada da mineira Marina Machado, 41, apadrinhada por Milton Nascimento nos anos 90. Apesar da distância de gerações, Jeneci e Marina têm em comum a vontade de fazer o novo. “Tenho estudado violão, ukelele e percussão com mais frequência, ouvi o primeiro disco do Marcelo, ‘Feito para Acabar’, de 2010, e talvez role alguma música de lá que encaixa nessa minha onda atual”, diz. Já o compositor paulista vai buscar arranjos diferentes para o show dos dois. “Eu busco sempre o novo. Tenho composto coisas novas e não sei até quando vou esperar para lançar. Eu gosto muito do que a Marina faz com a voz, vamos nos falar ainda para escolher as canções”, disse. O único encontro que une a mesma geração no Vozes do Brasil será entre Flávio Renegado, 32, e Ana Cañas, 33, nesta quinta-feira. O rapper está nos EUA, para shows em Nova York e Miami do recente trabalho “#SuaveAoVivo”, e só chega à capital no dia do show. “Ele está em êxtase por cantar com a Ana e vai aprontar algo diferente”, diz Danusa Carvalho, produtora do rapper. Enquanto isso, Ana Cañas, que transita do reggae ao rock e se tornou pupila de Nando Reis, se prepara para trazer influência de música negra ao palco. “Pensamos em algo do Tim Maia ou Jorge Ben. A música negra é o que tem de mais transcendental hoje, e eu e o Renegado bebemos nessa influência e em muitas outras. O mais legal é que vamos nos encontrar mesmo quase na hora do show: surpresa para o público e para a gente mesmo”, diz. O penúltimo show acontecem na sexta-feira, em dueto entre a revelação Anelis Assumpção, 33, e Zélia Duncan, 49, com repertório em homenagem a Itamar Assumpção. Enquanto Anelis é herdeira direta do repertório do pai, Zélia lançou seu último disco, “Tudo Esclarecido (2012), apenas com canções de Itamar. “Já cantamos juntas outras vezes, agora tentaremos inovar em torno de um ícone que temos em comum”, diz Zélia. No sábado, a recifense Karina Buhr, 40, vai trazer uma sonoridade mais moderna e sotaque indiscutível às canções apresentadas ao lado de Marina Lima, 58, ícone de interpretação na década de 80. “Nesses dois últimos shows vamos ter diferenças enormes entre as cantoras, o que é a cara do festival: o artista pode ter influência de Cat Power e Leonard Cohen, mas faz simplesmente música brasileira”, atesta Patrícia Palumbo. 

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