Para a frente ou para trás?

iG Minas Gerais |

Hélvio
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Na coluna que escrevi na semana passada, sobre a polêmica entre a Estante Virtual e livreiros, não incluí algumas informações que colhi porque elas fugiam do tema central daquele texto e também por questão de espaço, mas há caldo para uma continuação. Apenas situando o assunto para quem não leu, a questão é que a Estante Virtual, maior portal de vendas de livros usados no país, aumentou o valor da comissão que os livreiros devem pagar ao site, chegando a 100% de reajuste. Os donos de sebos protestaram coletivamente, o portal não reduziu as taxas, e o assunto está aparentemente em banho-maria, mas parece que não vai ficar assim. Para quem quiser ler o texto da semana passada, ele está disponível na parte de colunistas no site deste jornal, www.otempo.com.br , com o título “Impasse nos sebos”. Agora, indo além, pela conversa que tive por telefone com donos de sebos de Belo Horizonte e pelo que alguns deles me relataram sobre contatos que vêm mantendo com colegas livreiros de outras partes do país, há certo consenso de que a grande concentração de venda de títulos usados em apenas um site acaba sendo prejudicial a eles, pois o gestor do portal, pelo volume que hospeda, se sente fortalecido em determinar suas regras, independentemente se elas são as que os associados consideram melhores. Um dos livreiros informou que a Estante Virtual domina 90% da venda de livros usados no país e é o terceiro maior portal de vendas de livros em geral no Brasil, perdendo apenas para o Submarino e a Saraiva. Outro dono de sebo ressaltou que, além de pagarem por cada título vendido, os livreiros arcam com uma mensalidade para o portal. Ouvi também reclamações sobre a dificuldade de diálogo, bloqueado pelas ferramentas virtuais de troca de informações comerciais entre as partes. A proposta da Estante Virtual, criada em 2005, foi muito bem recebida desde o início por aglutinar um grande acervo em um só endereço virtual, o que é sem dúvida muito confortável para o leitor-comprador, que não precisa ficar procurando em sites diferentes. Uma coisa puxou a outra, sebos se associaram e fortaleceram o acervo, leitores passaram a comprar mais ali porque encontravam o que procuravam e a expansão foi tamanha que possivelmente gerou um distanciamento propício ao impasse atual, algo para os estudiosos de gestão analisarem. Ouvi de livreiros que uma alternativa para conseguirem condições melhores de comercialização é fortalecer outros sites de vendas virtuais, associando-se a eles e, assim, equalizando mais o mercado. E já li que nos últimos dias, 120 livreiros se associaram a outro desses sites. Acho que a Estante Virtual tem capacidade de se manter como referência e ao mesmo tempo poderia ser mais flexível nessa relação com os seus fornecedores. Vai andar para a frente ou para trás? Para terminar de forma mais leve, ainda na Estante Virtual me interessei por uma lista presente ali, dos livros de poesia mais vendidos: em primeiro lugar está “Sentimento do Mundo”, de Carlos Drummond de Andrade, e, em segundo, “Bagagem”, de Adélia Prado – inevitável ser bairrista ao observar que os dois são mineiros. Para ficar apenas nos cinco, em terceiro vem “Os Lusíadas”, de Camões; em quarto, “As Flores do Mal”, de Charles Baudelaire; e em quinto, de novo Drummond, “Antologia Poética”. Ainda no segmento de poesia do mesmo site, há uma postagem assinada por Infame Lúdico, com os seguintes versos, ilustrados em formato de tira: “Essa vida eu não sei se vai dar para frente ou para trás / Amanhã, por exemplo, é um dia a menos ou um dia a mais?” Investigando, desvendei que Infame Lúdico é o pseudônimo de Rafael C. Nemer, paulista de Bebedouro, autor de “tiras infameludicamente engraçadas, poéticas ou filosóficas”, como ele se define. Esse Infame garante que “O primeiro homem a ir para a lua foi um poeta”.

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