Obra ao menos 80% mais cara

Resultado da perícia vai definir quem será o responsável por arcar com os prejuízos

iG Minas Gerais | Luciene Câmara |

Peritos ainda trabalham no local da queda
FERNANDA CARVALHO / O TEMPO
Peritos ainda trabalham no local da queda

A demolição e a remoção do viaduto Batalha dos Guararapes, previstas para começar neste domingo na avenida Pedro I, na região de Venda Nova, não tiram das empresas e órgãos responsáveis o peso de terem que arcar com a reconstrução da obra. Ainda não se fala em quem terá de pagar a conta, mas a certeza é que ela será milionária e custará no mínimo 80% do valor total do empreendimento, segundo engenheiros consultados pela reportagem de O TEMPO.

De acordo o Portal da Transparência, o contrato que inclui a construção do viaduto Batalha dos Guararapes e também o Montese – que fica na mesma avenida – é orçado em R$ 17,9 milhões, incluindo um aditivo, destinado à construtora Cowan – vencedora de outras quatro licitações de mobilidade para a Copa. Desse valor total, engenheiros estimam que 75% (R$ 13,4 milhões) sejam referentes ao viaduto que caiu, já que ele é mais complexo e tem duas alças, enquanto o Montese tem apenas uma. Se a segunda alça do Guararapes – que com o desabamento da última quinta-feira, sofreu deslocamento de 5 cm – também ficar comprometida após a demolição, a reconstrução completa poderá chegar a R$ 10 milhões – caso contrário, ao menos metade desse montante. Procurada nesse sábado, a Prefeitura de Belo Horizonte não informou o valor estimado para a nova estrutura. Presidente do Instituto Brasileiro de Avaliações e Perícias de Engenharia de Minas Gerais (Ibape-MG), Frederico Correia Lima acredita que pouco poderá ser aproveitado da alça que sobrou no local. “Visualmente conseguimos ver que a estrutura ficou muito fraturada. O que ainda não foi danificado será comprometido na demolição”, afirmou o especialista. De acordo com Lima, a única parte que poderia ser usada na reconstrução são os dois pilares laterais de sustentação, que não afundaram como o central. Nesse caso, analistas dizem que a instalação de mais estacas poderia corrigir possíveis erros de fundação. Responsabilidade. Embora engenheiros sejam temerosos em apontar possíveis causas para a tragédia, é possível prever, em tese, quem teria de arcar com o prejuízo a partir da motivação do acidente. Engenheiro especialista em licitações ouvido pela reportagem deu como certa uma das três possibilidades de causa para o desabamento: erro de projeto, uso indevido de materiais e má-execução da obra. Ele preferiu não ser identificado. Se a perícia constatar que o erro foi no projeto de engenharia, a empresa Consol Engenheiros Consultores, com sede em Belo Horizonte, é que teria de pagar a reconstrução. Caso a causa seja o uso indevido de materiais, a conta recairia no fornecedor e também na prefeitura ou na empresa contratada por ela para fazer a fiscalização da construção. Nessa situação, a Consol também poderia ser responsabilizada, já que ela era contratada para essa tarefa até dezembro de 2012, o que depois foi assumido pela Superintendência de Desenvolvimento da Capital (Sudecap). Já se o problema for a má execução da obra, a responsabilidade pode recair sob a construtora Cowan. “Certamente isso será resolvido só na Justiça e levará tempo”, afirmou o membro da Sociedade Mineira de Engenheiros (SME), Luiz Otávio Silva Portela. Conforme engenheiros, geralmente construtoras têm seguro para cobrir esse tipo de acidente. A Cowan não confirmou se é esse seu caso.

Demolição Custos. Nenhum dos engenheiros procurados pela reportagem quis fazer uma previsão do custo para a demolição e para a retirada dos escombros do viaduto. Procuradas, prefeitura e Cowan também não se pronunciaram.

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