Segunda alça do Guararapes é preocupação em remoção

Antes da liberação da pista, pode ser feita nova perícia nos escombros

iG Minas Gerais | Aline Diniz e Luiza Muzzi |

Três dias após a queda do viaduto Batalha dos Guararapes, na avenida Pedro I, a maior preocupação dos envolvidos no trabalho de perícia é que a remoção do concreto não provoque a queda da segunda alça. A informação é do engenheiro Clemenceau Saliba Júnior, diretor do Instituto Brasileiro de Avaliações e Perícias de Engenharia de Minas Gerais (Ibape-MG), que acompanha os trabalhos no local. Outra questão é a prova pericial sob os concreto. Para o especialista, é preciso enxergar debaixo para determinar o que provocou o afundamento do pilar, apontado como uma das possíveis causas do acidente que matou dois e feriu 23, na última quinta-feira.

Polícia Civil e Defesa Civil não determinaram prazo para o início da demolição, nem para a consequente liberação da pista. Nesse sábado, peritos e operários trabalharam todo o dia, porém, até o fechamento desta edição, a demolição não havia começado. A expectativa é que ela tenha início neste domingo – a retirada depende de liberação da Polícia Civil, que fez uma lista de exigências . Coordenador municipal da Defesa Civil, o coronel Alexandre Lucas informou que as exigências estão sendo cumpridas. “Todas as reivindicações do delegado foram justas, pertinentes, legais e competentes”, considerou. O coronel explicou ainda que após o atendimento das exigências, a Polícia Civil precisa autorizar o início da retirada e pode inclusive fazer outras requisições para que a segurança seja preservada. Na sexta-feira, o secretário municipal de Obras, José Lauro Terror, informou apenas que o trabalho vai durar cerca de 24 horas. Clemenceau disse que é possível realizar a demolição dentro do prazo se levado em conta apenas o número de máquinas à disposição. Entretanto, há outros fatores envolvidos, como a realização de perícia nos escombros, o que pode provocar atrasos. Alexandre Lucas informou que a qualquer indício de perigo, os trabalhos serão paralisados. Ele explicou ainda que de hora em hora é emitido um relatório de topografia. Quando as obras de demolição forem iniciadas, esse monitoramento será intensificado. Prova preservada. Clemenceau concorda com a preocupação e reitera a importância de que os pedaços sejam retirados com cuidado. “É preciso preservar a prova técnica, que será avaliada”, explicou. O entorno do pilar que teria causado a queda da alça será preservado em um raio de 10 m, segundo Alexandre Lucas. “Vamos fechar com tapumes e entregar para a Polícia Civil”, disse. Por meio de nota, a prefeitura informou que está adotando todas as providências para a liberação da demolição e que está pronta para começar o trabalho. Também em nota, a Polícia Civil informou que segue com a perícia e que já ouviu 18 pessoas, entre funcionários e engenheiros. “A prioridade, além da necessária coleta de informações, é liberar a prefeitura para os procedimentos capazes de desobstruir a via”.

O posicionamento da Cowan Desde a queda do viaduto Batalha dos Guararapes, a reportagem de O TEMPO tenta contato com a Cowan, empresa responsável pelas obras, para repercutir o acidente e obter respostas de questões como o andamento das obras, os profissionais envolvidos e a fiscalização dos trabalhos. A postura dela tem sido, desde então, de se pronunciar apenas por nota à imprensa, sempre com texto sucinto. Nesse sábado, não foi diferente. Em todos os questionamentos, as respostas foram que a empresa aguarda o fim dos trabalhos da perícia e a liberação dos órgãos competentes para poder tomar as medidas cabíveis.

Comissão de moradores Presidente da Associação de Moradores da Pedro I, Vilarinho e adjacências, Ana Cristina Drumond afirmou que será criada uma comissão com oito moradores do condomínio Antares, ao lado do viaduto, para acompanhar a remoção da estrutura. “Houve um compromisso da Defesa Civil de que vamos estar a par de cada minuto e ter acesso a todo o processo”. O coordenador da Defesa Civil, coronel Alexandre Lucas, confirmou o acordo. “Eles terão acesso direto a nós para saber de tudo. Nesse momento não há nenhum risco para eles, mas pode ser que, quando começar (a demolição), tenha risco, e, se houver, vamos parar tudo. O risco é monitorável”.

OAB-MG vai apoiar as vítimas A Ordem dos Advogados do Brasil seção Minas Gerais (OAB-MG) ofereceu nesse sábado apoio para as famílias das vítimas do desabamento. A entidade aguarda o resultado das investigações em torno do colapso da estrutura, incluindo o laudo da perícia feita pela Polícia Civil, para avaliar a possibilidade de organizar as famílias das vítimas para ingressar com uma ação judicial coletiva contra os responsáveis pelo caso. Segundo o presidente da Comissão de Direitos Humanos, William Santos, a entidade está à disposição das famílias para ingressar com ações para reparação de danos morais ou materiais.

Scanner 3D é usado na ação Uma tecnologia inédita em Minas, usada apenas no incêndio da boate Kiss, em 2013, no Rio Grande do Sul, auxilia na perícia da Pedro I. O equipamento reproduz em computador as imagens do local, em três dimensões. Assim, é possível fazer medições da situação atual e as comparar com a ideal, percebendo as variações. A intenção é ajudar no entendimento dos promotores e juízes sobre a parte técnica. O scanner ajuda também os peritos durante a investigação.

As exigências Veja o que o delegado pediu para liberar a demolição: Escoramento da alça do viaduto que ainda se encontra de pé Ensaios técnicos da viabilidade da liberação do viaduto Monitoramento topográfico antes, durante e depois da demolição e da remoção dos escombros Documento que oficialize a realização de todas as providências

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