Estilo de vida aventureiro dos motor-homes toma conta do país

Sem essa tradição, país não oferece as melhores condições para os visitantes

iG Minas Gerais | Litza Mattos |

Na estrada. Cerca de 90 veículos com 400 argentinos ficaram no parque Lagoa do Lado, em BH, para o jogo contra o Irã na capital
JOAO GODINHO / O TEMPO
Na estrada. Cerca de 90 veículos com 400 argentinos ficaram no parque Lagoa do Lado, em BH, para o jogo contra o Irã na capital

A cultura de se fazer uma viagem a bordo de um motor-home é antiga e bem tradicional em alguns países, mas foi durante a Copa do Mundo que os argentinos e os chilenos, principalmente, mostraram para o Brasil que esse tipo de turismo está em alta.  

Um dos torcedores de La Roja, Manuel Villanueva, 56, viajou mais de 10 mil km com um grupo de cinco pessoas. Ele disse que comprou o veículo especialmente para vir ao Brasil.

“Ficamos todos muito confortáveis aqui. Dá pra fazer de tudo enquanto alguém dirige. Não é como nos carros, quando a gente precisa ficar apertado e sentado o tempo todo. Pretendo usar (o veículo) mais agora por viagens lá dentro do Chile”, relatou ao jornal. Segundo ele, a economia com passagens e hospedagem para família toda é considerável, além de ser legal ir conhecendo as cidadezinhas – coisa que ele fez logo após sua seleção ter sido eliminada pelo Brasil, no Mineirão.

A expectativa inicial era que um grupo de mais de 3.000 pessoas saísse de Santiago em 800 motor-homes e viesse para a capital mineira. De acordo com a Empresa Municipal de Turismo de Belo Horizonte (Belotur), no entanto, apenas 132 carros com 586 pessoas, entre argentinos e chilenos, chegaram à cidade nos diferentes dias de jogos das suas seleções.

Problemas. Antes de os turistas estacionarem seus carros superequipados em Belo Horizonte, a caravana chilena cogitou a possibilidade de não ficar na cidade. O motivo: os altos custos das áreas de camping. “Em Belo Horizonte, tem sido muito mais difícil do que em outras cidades. Há chance de fazermos acampamento em algum lugar na estrada, pois os valores de camping são os mais caros no Brasil”, afirmou o chefe de operações da Caravana Santiago Brasil, Alberto Schmidt, logo no início da Copa.

Questionada se a falta de espaço e os preço dos locais teriam influenciado a baixa procura, a assessoria da Belotur informou que “a caravana foi para outro lugar porque a maioria estava sem ingresso”. De acordo com o órgão, a capacidade total das três principais áreas de camping destinadas a esses turistas era de 1.200 veículos, e havia opções gratuitas.

Uma das áreas pagas disponíveis para os turistas e seus veículos recreativos foi o Mega Space, em Santa Luzia. Depois da reclamação dos estrangeiros, os responsáveis acabaram baixando os preços do camping em até quatro vezes. No início de junho, a diária no local custava R$ 120 por pessoa. Depois do início da Copa, nem mesmo fazendo um pacote entre R$ 30 e R$ 90 por pessoa o espaço conseguiu atrair mais hóspedes.

Segundo a Belotur, até a última terça-feira, apenas um motorhome com duas pessoas havia dado entrada no acampamento. No Rio de Janeiro, o problema foi diferente. A prefeitura afirmou que não foi possível prever a quantidade de veículos estrangeiros, e muitos carros que estavam estacionados na orla da zona Sul da cidade acabaram sendo rebocados. Outros foram encaminhados para o Terreirão do Samba, espaço destinado para o estacionamento de motor-homes durante o Mundial.

O proprietário do site motor-home, Reinaldo Batista, acredita que falta mais dedicação dos órgãos públicos e hotéis. “Seria bom se os próprios hotéis percebessem que os usuários de motor-homes são turistas em potencial. Usamos menos as instalações de quartos, mas podemos utilizar os bares e restaurantes, se fosse cobrada uma taxa razoável para pernoitar com os carros. A existência dos motor-homes não implica a morte dos hotéis e pousadas. Municípios, Estados e Federação ainda não olham esse tipo de turismo com bons olhos”, afirma. 

Para ricaços

Ostentação. A empresa austríaca Marchi Mobile lançou o motor-home mais caro do mundo. O eleMMent Palazzo alcança 150 km/h e está à venda por R$ 6,7 milhões.

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