Apesar de esforço da oposição, CPI não deve influenciar voto

Para especialistas, investigações conduzidas pelo Congresso têm implicações muito pontuais

iG Minas Gerais | Larissa Arantes |

Sucessivas denúncias de irregularidades em estatais federais; formação de Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) no Congresso; período eleitoral com tentativa de reeleição presidencial: o cenário político de 2014 guarda muita similaridade com 2005. Naquele ano, parlamentares formaram a CPI dos Correios, que deu origem ao escândalo do mensalão. O então presidente, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), se preparava para tentar seu segundo mandato, assim como a presidente Dilma Rousseff (PT) agora.  

Apesar das semelhanças de cenário, cientistas políticos avaliam que cada período teve sua peculiaridade. Seja pelo momento que o país vivia (e vive) ou mesmo pela composição e pelo objetivo de cada CPI. Mas um ponto tem avaliação unânime: CPIs dificilmente têm efeito nas urnas.

“Naquele ano (2005), a oposição tinha mais peso na CPI. Denúncias graves apareceram, houve a possibilidade real de um pedido de impeachment. Hoje, a CPI da Petrobras é uma grande farsa”, avaliou o cientista político da Universidade de Brasília (UNB) Antônio Flávio Testa.

Segundo o especialista, as CPIs podem desgastar alguns setores relacionados às denúncias, mas não afetam diretamente o resultado das eleições. “É difícil uma CPI ter impacto político a ponto de poder reverter um resultado positivo em relação a um determinado candidato”, concluiu.

O mesmo analisa o cientista político e professor da PUC Minas Moisés Augusto. “Temos um novo e complexo quadro no país: uma descrença generalizada da população com a política. Mas não acredito que a CPI da Petrobras vá interferir na urna, assim como não ocorreu com a CPI dos Correios”, acrescentou. O pleito deste ano deverá bater recorde de votos brancos e nulos, em sua avaliação.

A Copa do Mundo no Brasil também poderá contribuir para minimizar os efeitos da CPI da Petrobras, na análise de Augusto. “O sucesso da Copa vai abafar as denúncias da Petrobras. A repercussão internacional positiva reafirmou o governo Dilma”, completou.

O professor da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) Paulo Roberto Figueira Leal relembra as denúncias relacionadas ao ex-presidente Fernando Collor de Mello. “Todos os governos enfrentaram alguma CPI. Mas, com exceção da que levou ao impeachment do ex-presidente Collor, nenhuma gerou efeitos em longo prazo”, resumiu.

Fatos. Em maio, o ex-presidente Lula chegou a comparar os dois momentos – 2005 e 2014 – e os relacionou com a eleição. “Mais uma vez os interesses políticos estão fazendo com que, em época de eleição, normalmente quando a oposição não tem bandeira, não tem programa e não tem voto, a oposição levanta essa ideia de fazer uma CPI”, criticou, em entrevista a blogueiros. “Eu espero que o PT tenha aprendido a lição do que significou a CPI do mensalão, porque deixou marcas profundas nas entranhas do PT”.

A presidente Dilma Roussef, apesar de não ter feito a mesma comparação, também focou no que considerou o aspecto político da CPI da Petrobras. “São investigações que só atingem o governo federal. O interesse todo nesta história está em mim. Eu representava o poder controlador”, avaliou, também em maio, em conversa com jornalistas no Palácio do Planalto.

Em baixa

Índice. As audiências das CPIs da Petrobras têm sido marcadas por faltas. No Senado, oito dos 13 titulares faltaram em pelo menos uma reunião. Já na comissão mista, mais da metade teve pelo menos uma falta.

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