Bem-vindo ao clube pais carentes!

iG Minas Gerais |

Entre a geração dos que temiam o simples olhar bravo dos pais e morria de medo das broncas, tapas, e castigos severos e a atual geração de filhos que olham feio, gritam, desrespeitam e até batem em seus pais, foi um pulo! Tempos românticos onde namorar era uma arte e transar só em prostíbulos, com imensa possibilidade de pegar uma DST. Festas acabavam à meia-noite com pais acordados e punição na certa. Xingar palavrões, gritar com os pais ou idosos era intolerável. Mas meus caros jovens tecnófilos, devo confessar como eram divertidas as turmas de rua ou da escola, éramos criativos, vivíamos fantasias, construíamos nossos próprios brinquedos, ou inventávamos diversões, interagíamos o tempo todo. Tínhamos uma vida familiar, onde havia sim chatices do tipo “aí que saco”, mas cedo na vida já nos virávamos, sonhávamos sair de casa e ter independência. Namoros sérios com meninas virgens ou quase. O que estará acontecendo com as relações entre pais e filhos atualmente? Nunca houve na história, um distanciamento tão grande, uma falta de comunicação, uma frieza afetiva, indiferença que mais que frustrar, anda angustiando e desmotivando o ato de ter filhos. Mais incrível, a geração nascida entre 1978-2000, admite, em mais de 2/3 deles, que jamais gostariam de ter filhos, pois alegam que eles dão trabalho, despesas, atrapalham a vida profissional, baladas, entre outras pérolas do tipo. Nada que espante, já que foram denominados geração NEI (narcisistas, egocêntricos, indiferentes) por estudiosos do comportamento. Ok! Existe expectativa de que o outro 1/3 seja diferente e deposita-se nestes a esperança de que possam assumir o comando do mundo. Nem isso impediu que a Unesco considerasse essa geração Y a pior dos últimos 200 anos e a primeira que talvez seja pior que a dos pais. Deus me livre! Mas me desculpem o mau jeito: a culpa é de nós pais, uns bobões, medrosos, mendigando uma palavra de carinho, atenção, enquanto eles, “autistas”, digitam, usam seus fones se recusando a relacionar, comem e deixam louças na pia, amarrotam suas roupas estranhas e xingam quando não as encontram limpas. Acordam meio-dia com mau humor de quem chupou limão, urram palavras ininteligíveis e são capazes de voltar aos quartos trancados sem uma única palavra. Imersos em suas telas e alienados, habitando outro universo, virtual, cheio de “bobagemterapia”, fofocas em redes sociais, ou, quem sabe, fazendo selfies, sexting (se exibindo sexualmente) enquanto aguardam a noitada de baladas, brigas, bebedeiras, drogas, sexo animal. Eu sei que alguns dirão que seus filhos são ótimos! E conheço muitos deles, mas, sendo franco, não são a regra e sim exceção. E cuidado com os “santinhos do pau oco”, sempre dentro do quarto e quietos, quando na realidade, viajam internauticamente por lugares trevosos. Então, pais carentes, bobamente preocupados, órfãos de filhos distantes, vão aí algumas colocações que podem ajudar: 1) Saiba diferenciar “valor de utilidade”, pois útil é tudo aquilo que só lembramos quando necessitamos, depois descartamos e esquecemos. Enquanto valor é ser lembrado constantemente para compartilhar e usufruir bons momentos, prazer, gratificações independente da necessidade. Pais hoje são mais utilizados que valorizados; 2) Assuma o comando, imponha-se! Há hierarquia e são inadmissíveis gritos, desrespeito, agressão. Regras são impostas por pais e, se não seguidas, há que se punir, lembrando que o pior castigo é retirar prazer, (suspender celulares, restringir horários, negar mesada etc.); 3) Não se vitimize, não reclame, aja! Não se deixe chantagear emocionalmente (eles são mestres nisso e soltam “não pedi para nascer”). Nada de sentimento de culpa, dó, pena, ameaças, constrangimento. A lei universal da natureza é simples: quem merece tem, quem não merece deixa de ter; 4) Se não quer estudar, trabalhe, mas se quer mordomia faça por merecer. Quer uma vida mansa, pé na estrada, vá ver quanto valem suas mordomias, procure um espaço próprio em que tenha seu “modus vivendi” e banque-se. O ócio é o câncer do sucesso! 5) Creia-me que lá na frente, um belo dia, os adultecentes – fenômeno que mostra que o amadurecimento desses jovens é tardio e pode durar ate os 35 anos –, essa geração dos rebeldes, dos robotizados filhos atuais, haverão de agir como adultos, desenvolver mais maturidade e sensibilidade e, só aí, retornar ao lar materno e paterno, carentes, em busca do colo amigo, do ombro que ampara, do cafuné de alma. Afinal, isso não há tela que oferte ou companheiros de balada que façam esse papel. Família sempre será sagrada e quando tudo nos faltar, o ninho familiar nos acolherá, perdoará. Amor incondicional, nosso porto seguro.

Leia tudo sobre: Clique para inserir palavras chave