Devagar quase parando

Escrita por Cristianne Fridman, novela “Vitória” apresenta trama lenta e ainda não explora todo seu potencial

iG Minas Gerais | luana borges |

Estratégia. Folhetim pode estar segurando enredo devido ao interesse das pessoas só no Mundial
Record/Divulgação
Estratégia. Folhetim pode estar segurando enredo devido ao interesse das pessoas só no Mundial

Com cerca de um mês no ar, “Vitória” ainda não mostrou a que veio. A trama de Cristianne Fridman até possui elementos interessantes, como o núcleo do neonazismo, o ambiente hípico e o trio cômico de amigos que foram demitidos de seus excelentes empregos e escondem o fato das famílias. Mas nada se desenvolveu muito além do exibido no capítulo inicial. Muitas cenas parecem servir mais para ocupar o tempo do que para, realmente, contar uma história. Talvez a Copa do Mundo tenha interferido no desenrolar do enredo. Afinal, com a atenção do público voltada para o Mundial, pode ser uma estratégia inteligente dar uma freada no ritmo. Mas sendo essa a ideia, houve exagero.

Apesar do marasmo geral, a autora fugiu do caminho óbvio de criar um protagonista com ares de herói. E está sendo bem-sucedida em, logo de cara, apresentar o personagem principal completamente ambíguo. Artur, interpretado por Bruno Ferrari, quer se vingar a todo custo do pai, que o abandonou ainda criança. E é capaz até de fazê-lo pensar que se envolveu incestuosamente com a própria irmã, Diana, papel de Thaís Melchior, só para deixar seu progenitor nervoso. A sacada de Cristianne Fridman para evitar uma rejeição do público, diante de uma trama tão forte envolvendo justamente os mocinhos, foi providencial: além de Artur, só o telespectador sabe que os personagens não praticaram incesto. Porque, na verdade, Artur é filho de outro homem. Desta forma, é possível facilitar uma torcida pelo casal. Por enquanto, isso ainda parece estar longe de acontecer. Mas é o caminho natural e o que está fazendo mais falta na novela.

Com a responsabilidade de dar vida à heroína, Thaís Melchior não faz feio. Porém, ao contrário da força que Artur tem na história, sua personagem parece estar ali apenas para cumprir a cota de mocinhas bonitas. Já Bruno Ferrari ainda não descobriu como aproveitar a oportunidade que tem nas mãos. Apesar de possuir bastante material para criar um papel interessante, ele entrega uma atuação apenas mediana.

Se “Vitória” ainda não engrenou, pelo menos, pode contar com o tempo a seu favor. Com uma trama praticamente recém-estreada, Fridman ainda terá muitas oportunidades para azeitar sua história e fazer os ajustes necessários.

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