Jornalista passou sob o viaduto que desabou segundos antes da queda

Manoel era um dos 30 passageiros do Move que aparece no vídeo que flagrou a queda da estrutura na avenida Pedro I

iG Minas Gerais | Gustavo Lameira |

undefined

O jornalista Manoel Guimarães, de 64 anos, está entre as muitas pessoas que escaparam por pouco da tragédia que se abateu sobre Belo Horizonte na última quinta-feira (3). Ele estava em um ônibus do sistema BRT/Move, que havia passado pelo viaduto dos Guararapes, na avenida Pedro I, minutos antes do desabamento. Duas pessoas morreram e 23 ficaram feridas na queda.

Morador de Venda Nova, Manoel está em férias e decidiu aproveitar a folga para fazer sua primeira viagem no novo modelo de transporte  coletivo da capital, inaugurado há poucos meses. "Saí de casa na parte da manhã, peguei a Linha 61, que vai direto, e fui ao centro. Lá resolvi alguns problemas burocráticos, depois passei no Mercado Central para almoçar. Por volta das 14h, peguei o ônibus de volta", contou.

O Move em que estava jornalista aparece no vídeo, retornando para a pista exclusiva, que ao fundo flagra a queda do viaduto. "Mesmo com as janelas fechadas, por causa do ar condicionado, o barulho que ouvimos foi forte. Éramos cerca de 30 passageiros, e assim que o desabamento foi percebido, as pessoas começaram a gritar e o motorista parou. Muita gente ficou em pânico e correu para o local. Logo apareceram as primeiras vítimas ensaguentadas, foi terrível", relembra o jornalista, que atribui à sorte estar vivo hoje.

Manoel ficou cerca de 10 minutos por lá, e terminou de chegar em casa a pé.

Jornalista experiente, já passou por diversos veículos de imprensa e coberturas, e diz estar acostumado a ver esse tipo de acidente. Mas, esse, em sua opinião, não foi uma fatalidade. "Eu me recuso a chamar de acidente o que aconteceu, porque os acidentes acontecem de maneira imprevisível. O que eu deduzo, ali, é o resultado da pressa para entrega das obras, por causa da Copa... Sei lá por que isso! Foi de uma irresponsabilidade total. Uma investigação séria é preciso".

Manoel trabalhou na assessoria da presidência da Assembleia Legislativa de Minas Gerais até o início de junho, e se afastou por conta do período eleitoral.