Seleção terá que superar “Neymardependência” e mostrar amadurecimento

Números escancaram importância do camisa 10 na nova "Era Scolari"; sem estrela, equipe passará por mais um teste de crescimento, principalmente coletivo

iG Minas Gerais | JOSIAS PEREIRA |

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De repente, toda a festa pela classificação à semifinal da Copa do Mundo virou tristeza. A melhor campanha brasileira em Mundiais desde 2002, ano do pentacampeonato, ficou resumida a pergunta – e agora? Como será sem Neymar? Após uma entrada criminosa do colombiano Juan Zúñiga no duelo dessa sexta-feira, em Fortaleza, o camisa 10 brasileiro foi diagnosticado com uma fratura na terceira vértebra da coluna e está fora da Copa.

A ausência do craque é um golpe duro para a jovem equipe brasileira, que ainda terá pela frente a Alemanha, na próxima terça-feira, em Belo Horizonte. Em suas duas últimas partidas na Copa, Neymar foi muito bem marcado e esteve longe do bom futebol apresentado nos primeiros compromissos do torneio, jogos em que ele balançou as redes quatro vezes. Mas, além de seu artilheiro, o Brasil perde em qualidade técnica, em talento e individualidade. Os números atestam isto. Na atual Copa, Neymar só não lidera as estatísticas quando o assunto é assistência.

Veja os números do camisa 10 no Mundial:

Gols – 4 – Artilheiro da seleção brasileira Assistências – 1 – vice-líder no fundamento Chances criadas – 13 – lidera a seleção Chutes – 18 – lidera a seleção Chutes certos – 9 – lidera a seleção Dribles – 17 – lidera a seleção

Desde o retorno de Felipão ao comando da seleção, Neymar atuou nas 27 partidas que o Brasil disputou, e, em média, ficou fora de campo por apenas sete minutos. Neste período, ele foi substituído 13 vezes, e jogou por 2.354 minutos. Foram 18 gols e 12 assistências. O camisa 10 teve participação direta em 30 dos 69 tentos marcados pela seleção na nova Era Scolari. Além disto, aos 22 anos, ele é o sexto maior artilheiro do Brasil, com 35 gols.

Sem Neymar, Felipão poderá mudar o posicionamento da equipe. Ou então, se preferir, optar pela escalação de jogadores que possuem características ofensivas que se aproximam das do camisa 10, casos de Willian e Bernard. O certo é que esta será mais uma provação para a seleção brasileira. Desde o início da Copa, a equipe vem sendo criticada pela “Neymardependência”, e também pela imaturidade das mais variadas peças. Nas própria palavras de Felipão, o Brasil vem crescendo a cada etapa, um amadurecimento que deverá ser mostrado contra a Alemanha.

“Ninguém acreditava que passaríamos da primeira fase. Passamos. Chegou nas oitavas, todo mundo falava que não ia dar. Passou de novo. Quartas, a mesma história. Isto é sinal que estes jogadores têm credibilidade sim”, aponta Luiz Felipe Scolari. Desta vez, a superação e o coletivo terão que ser maiores do que a individualidade.

Lembranças de 1962. Na Copa do Mundo do Chile, a seleção brasileira viveu situação parecida - ou até mais grave. Logo na segunda partida do Mundial, Pelé sofreu um estiramento que o tirou da competição. Sem o camisa 10, o técnico Aymoré Moreira promoveu a entrada de Amarildo em uma seleção que contava com a maestria de Garrincha. A substituição se mostrou acertada e o jogador, apelidado de "Possesso" , terminou a competição com três gols marcados: dois sobre a Espanha, pela fase de grupos, e um na vitória por 3 a 1 sobre a Tchecoslováquia, na grande decisão da Copa. 

Personagem do fato, Amarildo, em entrevista à Rádio ESPN, não mostrou muita confiança na repetição da história. Na opinião do ex-jogador, a peça que poderia ser o substituto de Neymar sequer foi convocada. "Sinto muito em dizer que não (há outro Amarildo). Naquela época, tinha o Pelé, que era único, todos pensavam que era insubstituível. Mas depois apareceu um tal de 'Posssesso' que demonstrou que não tem ninguém insubstituível. Mas, naquela época, o Brasil tinha um celeiro de craques, e podia montar umas 10 seleções, uma quase igual à outra", avaliou. 

"Hoje, no momento, não temos um jogador como o Neymar. Poderia ter, se tivesse convocado o Robinho, mas ele não foi chamado", completou Amarildo.