Jean Georges em Xangai

iG Minas Gerais | Renato Quintino |

Rolinho Primavera com Nam Prix, releitura feita por Renato Quintino do prato asiático de Jean Georges, receita presente no livro “A Invasão dos Incas Venusianos”
Renato Quintino
Rolinho Primavera com Nam Prix, releitura feita por Renato Quintino do prato asiático de Jean Georges, receita presente no livro “A Invasão dos Incas Venusianos”

Além de ter criado o célebre petit gateau (na verdade, o primeiro nome foi Jojo, apelido do chef), e de possuir várias casas de sucesso pelo mundo, o francês da Alsácia Jean Georges Vongerichten tem uma cozinha de base francesa e com forte acento asiático, influência dos anos em que trabalhou na Ásia.

Enquanto o toque oriental de sua cozinha (pimentas, shoyu, especiarias, gengibre, nam pla, lima kaffir etc) pode ser degustado em casas, como Nougatine, Jean Georges, Mercer Kitchen, ABC Kitchen e até no bistrô Jojo (todos em Nova York), sua excelente cozinha asiática era provada, até então, no restaurante Spice Market, de Londres (o de Nova York, antes excepcional, caiu o nível depois de vendido).

Finalmente, o chef abriu, em parceria com sua mulher, a coreana Marja, o restaurante asiático CHI-Q, em Xangai. O nome é um achado, vindo da junção de “chi” ( abreviação de kimchi, legumes fermentados e condimentados) com “Q”, que representa o clássico barbecue cooking style (além da óbvia brincadeira com o termo chic).

O CHI-Q é um restaurante coreano na cidade mais cosmopolita da China, com o projeto ambicioso de despertar o interesse internacional pelos sabores da Coreia. O chef David Chang já faz, com enorme sucesso, esse trabalho na sua rede Momofuku, em Nova York, mas Jean Georges, além de focar no mercado local chinês (e no enorme fluxo de estrangeiros em Xangai), fará, enfim na Ásia, sua cozinha asiática.  

Tradição kimchi

O restaurante manterá a tradição do kimchi (e das culturas orientais), com mesas onde a comida (nesse caso, frutos do mar e carnes grelhadas acompanhadas de vegetais e algas) é compartilhada, gerando um clima entre o elegante, o informal e o relaxado.

O chef sul-coreano Bichna Yu (treinado por Jean Georges no seu Flaship, em Nova York) comanda a cozinha, que faz uma interseção entre as receitas coreanas de Marja e os sabores franco-asiáticos de Jean Georges (excepcionais) – seu livro “Asian Flavours” é uma boa dica de compra.

Como se faz no mundo dos restaurantes profissionais, o projeto arquitetônico e a carta de bebidas acompanham a proposta do cardápio (e não vice-versa). No item bebidas, a casa traz favoritos da Coreia com seus sucos, cervejas, makgeolli e sojus, além de saquês, uísques e, claro, carta de vinhos.

O projeto arquitetônico de Neri & Hu explora a renovação que sofreu o edifício histórico do Three on the Bund (www.threeonthebund.com). Revestido com ripas de madeira de carvão e pisos de concreto, o hall do restaurante cita as entradas discretas e privativas comuns em casas tradicionais da Coreia.

O caminho leva ao bar para, depois, chegar ao salão do restaurante, que evoca um misto de leveza e intensidade (condimentos) da cozinha coreana, retratada na composição da luz (que lembra o dossel de uma floresta), no teto de metal (em tons quentes combinando com o piso de madeira rústica) e finalizando com uma tela suspensa entre as mesas. Sucesso do casal Vongerichten, o CHI-Q é parada obrigatória em Xangai.

 

Receita

CAMARÃO ASIÁTICO

Modo de preparo : Seque bem 800 g de camarão rosa limpo com um pano de prato e tempere-os com sal e pimenta-do-reino. Em uma frigideira alta, aqueça 2 colheres (sopa) de azeite e doure rapidamente os camarões. Acrescente 400 ml de leite de coco , 4 colheres (sopa) de folhas de erva cidreira, 4 talos pequenos de capim limão, 2 colheres (sopa) de gengibre em tiras finas, 2 colheres (sopa) de folhas de hortelã e o suco de 1 limão. Cozinhe por dois minutos, acrescente 1 colher (chá) de pasta de curry vermelho (ou um pouco mais, a gosto), tempere com sal e sirva imediatamente em pratos de sopa.  

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