Demolição será mecânica e vai depender do fim da perícia

Secretário fez mea-culpa e disse que todos os envolvidos têm alguma responsabilidade

iG Minas Gerais | Johnatan Castro |

Peritos da Polícia Civil e do Crea retomam hoje perícia no viaduto Guararapes
JOAO GODINHO/ O TEMPO
Peritos da Polícia Civil e do Crea retomam hoje perícia no viaduto Guararapes

A avenida Pedro I não deve ser totalmente desobstruída até a próxima terça-feira – dia em que a seleção brasileira volta a Belo Horizonte para disputar as semifinais da Copa do Mundo. Em entrevista na manhã dessa sexta, o secretário municipal de Obras, José Lauro Terror, afirmou que a demolição do viaduto Guararapes será mecânica e só começará após a conclusão da perícia que está sendo realizada pela Polícia Civil e pelo Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de Minas Gerais (Crea-MG). Conforme os órgãos, no entanto, a análise ainda não tem data para terminar e pode demorar dias. O viaduto desabou na quinta-feira e deixou dois mortos e 23 feridos – apesar de pequena, a possibilidade de mais mortos sob a estrutura não é descartada.

Segundo o secretário, após ser iniciada, a demolição deve durar 24 horas. Ele descartou a implosão, mas disse que até mesmo a alça que ficou de pé será demolida. Para quebrar toda a estrutura, serão usados equipamentos como o rompedor hidráulico – um trator com uma broca para perfurar rochas e concreto. O secretário e a assessoria da Superintendência de Desenvolvimento da Capital (Sudecap) não informaram quem será responsável pelo procedimento e quanto ele custará. Terror também garantiu que os eventos da próxima terça-feira transcorrerão com segurança, inclusive no trânsito. “A prefeitura tem um plano de ação ligado a ocorrências sem problemas para os eventos que estão na agenda, e também à segurança das pessoas, dos trabalhadores, do trânsito etc”. Responsabilidade. Um mea-culpa também foi feito pelo secretário ao comentar a responsabilidade pela tragédia. Ele destacou que todos os envolvidos na construção têm suas parcelas de culpa no que ele chamou de “responsabilidade solidária”. Conforme engenheiros ouvidos pela reportagem, inclusive do Instituto Brasileiro de Avaliações e Perícias de Engenharia de Minas Gerais (Ibape-MG), as principais suspeitas para a ruína do viaduto envolvem problemas no solo e a retirada precoce das escoras que davam sustentação à ponte. “Em nenhum momento, nenhuma dessas escoras foi retirada contrariando os padrões de engenharia. (Foram respeitados) todos os tempos para que a estrutura fosse considerada estável”, disse Terror, que se recusou a comentar problemas no solo e o afundamento de 6 m dos pilares do viaduto. Ele também descartou que os funcionários da Sudecap tenham falado na fiscalização. No fim da noite dessa sexta, servidores do órgão se reuniram, mas o resultado do encontro não foi divulgado.

 

As respostas de José Lauro Terror A prefeitura tem alguma responsabilidade no acidente?

A responsabilidade é solidária, de várias entidades e empresas que participaram do processo (de construção do viaduto). Houve falha na fiscalização da obra por parte dos funcionários da Sudecap? Independentemente da presença de empresas ligadas ao gerenciamento dos empreendimentos, a Sudecap e a Secretaria Municipal de Obras não abriram mão do seu papel, com pessoal próprio diariamente presente nas obras. Houve algum pedido para que as obras do viaduto fossem aceleradas?

Nós tínhamos metas para todas as obras. Mas o Guararapes não tinha meta para entrega antes da Copa. O viaduto Guararapes teve, do ponto de vista da engenharia, a sua maturação, o seu desenvolvimento, respeitando suas necessidades. Houve afundamento dos pilares do viaduto?

Não temos o direito de especular. A Sudecap e a Secretaria de Obras são organizações tecnicamente orientadas. Estamos numa fase de apuração do que aconteceu. As escoras poderiam ser retiradas sem que o trânsito fosse interditado?

Nós tomamos o cuidado de manter os escoramentos quanto tempo fosse necessário. Não é especialmente importante o momento e o dia em que as escoras foram retiradas.

Perguntas que o secretário não respondeu José Lauro Terror se recusou a responder várias perguntas dos jornalistas. Veja algumas delas:

Qual a causa mais provável para o desabamento do viaduto?

Quando a avenida Pedro I será liberada para o trânsito de veículos de pedestres?

Quem será o responsável pela demolição do viaduto? Quanto ela vai custar? Quem paga?

Qual será o custo para a construção de um novo viaduto no local do desabamento?

Quantos viadutos da Pedro I passarão por perícia para avaliar os riscos? Quando essa avaliação ocorrerá?

Quantos funcionários da Sudecap faziam a fiscalização da construção do viaduto? Qual a especialidade desses servidores?

A Sudecap faz, ou já fez, terceirização de funcionários responsáveis por fiscalizações?

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