Cidades vizinhas atraem cada vez mais consumidores de BH

Municípios da região praticam preços bem mais baixos de carne, pão e outros produtos

iG Minas Gerais | Queila Ariadne |

Açougue no Barreiro joga a culpa da carne cara no custo de vida
FERNANDA CARVALHO
Açougue no Barreiro joga a culpa da carne cara no custo de vida

Em Belo Horizonte, o quilo do pãozinho custa em média R$ 10,76. Já o quilo da alcatra tem preço médio de R$ 22,12. Mas basta andar alguns quilômetros, na própria região metropolitana, que os mesmos produtos custam bem menos. Quem recorre aos municípios vizinhos sente a diferença no bolso. Vadson Aliziário, 33, mora no Barreiro e trabalha com espetinhos. Toda semana, ele vai pelo menos duas vezes ao açougue Supremo, em Ibirité, a 25 km de Belo Horizonte, para comprar carne. Só na alcatra, ele economiza, no mínimo, 17%. O preço médio do quilo em Belo Horizonte, segundo o site de pesquisas Mercado Mineiro, é R$ 22,12. Lá, o quilo custa R$ 18,90.

“Eu trabalho com espetinhos há cinco anos e há três eu passei a comprar em Ibirité. Percebi uma grande diferença na minha margem de lucro. Eu calculo que a diferença chegue a 30%”, afirma Vadson, que compra cerca de 200 kg de carne por semana. Segundo o açougueiro Sílvio Caldeira, o preço mais baixo atrai muitos clientes de fora do município. “Cerca de 30% dos fregueses são de Belo Horizonte”, estima Caldeira. Em um açougue no Barreiro, a alcatra chega a ser vendida por R$ 21,99. O açougueiro Adriano Macedo explica a diferença. “Tem a ver com a região, o poder aquisitivo e também a qualidade e as certificações da carne. Por isso, os preços são diferentes em relação ao interior”, justifica. No caso do pão de sal, enquanto o quilo custa R$ 7,50 em Ibirité, em Belo Horizonte o preço médio é R$ 10,76, 43% mais caro, mas, em regiões como a Centro-Sul da capital, pode chegar a R$ 12,90 o quilo. “As pessoas sempre comentam que aqui é mais barato”, conta a atendente da Padaria São Lucas, Lorrane Rodrigues. Segundo o dono, Vanderlei Pereira, o custo de vida da capital pesa no preço. Custo. O professor do MBA em Gestão Comercial da Faculdade IBS da Fundação Getúlio Vargas (FGV) Roberto Neme Assef disse que o poder aquisitivo da capital faz toda a diferença, mas não é o único fator preponderante na formação do preço. “Na capital, além de o custo ser maior, com o aluguel, por exemplo, a concorrência é muito grande. Os estabelecimentos precisam investir em diferencial, para atrair um cliente. Não há fidelidade de comprar na mão de um amigo, como acontece no interior”, afirma o professor. “Os salários também são mais elevados na capital, e isso influencia muito”, ressalta Neme.

Logística faz a diferença Na maioria das vezes, o interior é mais barato. Mas não é sempre. No caso de supermercados, os preços são bem parecidos. Já nos sacolões, muitos produtos são mais vantajosos na capital. O quilo da laranja em Sarzedo é R$ 0,98 e R$ 0,89 em um sacolão no Barreiro. O tomate, que lá custa R$ 2,98, na capital é R$ 2,49. “Nesse caso, a logística interfere”, avalia o professor da FGV, Roberto Neme.

Preços médios Pão de sal (kg) Em Ibirité: R$ 7,50 Em BH : R$ 10,76 Alcatra (kg) Em Ibirité: R$ 18,90 Em BH:R$ 22,12 Balanceamento de roda Em Sarzedo: R$ 5 Em BH: R$ 14 Salão (mão e pé) Em Sarzedo: R$ 22 Em BH: R$ 30 Fonte: Pesquisa/Mercado Mineiros

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