Passageiros lamentam não ter ajudado Hanna

iG Minas Gerais | Camila Bastos |

Entre os sobreviventes da tragédia dessa quinta está a vendedora Maria Nilza, 54 – Kika, como é conhecida pelos amigos –, que sofreu cortes na boca e no corpo. Passageira do suplementar S70, ela conta que não é a primeira vez que sobrevive a um desastre. “O pessoal da rua já disse que não pega mais ônibus comigo”.

Ela também era passageira da linha 1505, que em 1999 caiu no rio Arrudas ao avançar o sinal, matando nove pessoas. “Mas o acidente do viaduto me atingiu muito mais emocionalmente. A história da criança, a filha da motorista, mexeu muito comigo”, comenta Kika.

Ela pegava a linha S70 com frequência para ir ao trabalho, e na tarde dessa quinta escolheu sentar na última fileira, longe de onde o viaduto atingiu o veículo. “Em 1999, eu pude ajudar outras pessoas, lutar pela vida. Dessa vez, ninguém pôde ajudar a Hanna (a motorista), que não teve chance”.

Outro que escapou do acidente foi o chef churrasqueiro Enílson Luiz, 36, que também estava no S70. “Eu dei sinal para descer do ônibus e fui para a porta de trás. O barulho foi muito forte, e a traseira do ônibus levantou. Nessa hora, eu fui arremessado para fora do veículo, mas não consegui ajudar ninguém, porque as portas travaram”, contou.

“Foi a mão de Deus que me salvou”, afirma o homem, com um exemplar da Bíblia na mão, ao deixar o Hospital Risoleta Neves, para onde foi encaminhado. Sem ferimentos graves, ele recebeu alta médica da unidade no fim da tarde dessa quinta.

Por pouco. Pelo Facebook, o jornalista Manoel Guimarães relatou a experiência de quem estava em um ônibus articulado do Move que passou pelo viaduto instantes antes.

“Foi questão de três a cinco segundos entre a passagem do ônibus em que eu estava (com talvez uns 30 passageiros, não contei) e a queda do viaduto às minhas costas”. 

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