Copa em Belo Horizonte desaba

iG Minas Gerais |

Eu esperaria o fim do jogo entre Brasil e Colômbia, ontem, para escrever a coluna desta semana, mas o resultado da partida é o que menos me importa desde o meio da tarde de quinta-feira, quando um viaduto em construção desabou sobre a avenida Pedro I, causando duas mortes e jogando no lixo toda a imagem positiva que a capital mineira havia construído durante o Mundial, como abordei na coluna passada, disponível em otempo.com.br. Não é novidade para ninguém que essas obras do Move, que tiveram a entrega adiada várias vezes, foram feitas com pressa para que ficassem prontas antes da Copa, mas nem isso conseguiram. Também só tiveram sete anos para concluí-las. É pouco tempo né? Não vou entrar no mérito das causas da queda do viaduto, mas alguém tem culpa e deverá, se houver o mínimo de decência na apuração do caso, ser indiciado por homicídio culposo, sem a intenção de matar, pois acidente é outra coisa. Eu já esperava – não desejava – por um vexame durante a Copa, só não imaginava que fosse tão grande assim e em Belo Horizonte. Supunha um apagão de energia elétrica durante um jogo, por exemplo, ou uma chuva que parasse São Paulo ou o Rio de Janeiro, embora tal fenômeno meteorológico não seja tão comum nesta época do ano. Não custa lembrar que o viaduto que desabou é uma obra da Cowan, a mesma empresa que construiu um outro viaduto sobre a mesma Pedro I, que, inclusive, chegou a ser interditado em fevereiro por falhas na estrutura. É bom darem uma olhadinha nele novamente e nas demais obras desta construtora antes que seja tarde demais. Será que é o mesmo engenheiro também? Fico imaginando familiares das pessoas que perderam a vida pensando na forma como seus entes foram arrancados de seu convívio. O viaduto será refeito, mas a vida das vítimas, não. Para essas famílias, a Copa deixa um legado eterno. Como a obra é de responsabilidade da Prefeitura de Belo Horizonte, o prefeito Marcio Lacerda, como deveria mesmo ter feito, esteve no local da queda horas depois do ocorrido e respondeu a todas as perguntas amenas dos repórteres, como sobre o número de feridos e sobre as possíveis causas do “acidente”, segundo ele mesmo. Assim que um raro questionamento mais inteligente, corajoso e embaraçoso foi feito, o prefeito até falou, bastante contrariado, mas, depois, virou as costas, foi embora e deixou a população sem respostas. Talvez não quisesse responder como fica a imagem da cidade, ainda mais com a imprensa mundial de olho no Brasil por causa da Copa. Ou ainda sobre a confiabilidade das outras obras pela capital.

Pelo mundo Órgãos de imprensa do exterior deram destaque à queda do viaduto, principalmente na Argentina, devido à presença da seleção do país vizinho “perto” do local, pois se hospeda na Cidade do Galo. Claro que a perda de qualquer vida por motivos que não sejam naturais é deplorável, mas imagina se essa edificação cai sobre um ônibus de alguma delegação estrangeira ou mesmo da seleção brasileira, que devem ter passado pela principal ligação entre Confins e o CT do Atlético com o Mineirão? Fim da Copa!

Bom-senso Ainda na quinta-feira, foram canceladas todas as atividades festivas oficiais na cidade previstas para ontem, dia do jogo entre Brasil e Colômbia pelas quartas de final da Copa. Sinal claro e inequívoco da situação delicada e incômoda em que ficaram as autoridades de Belo Horizonte, de Minas Gerais e do Brasil com essa tragédia. Luto oficial de três dias também foi decretado pelo prefeito Marcio Lacerda, o mais atingido pelo “acidente” depois de vítimas, familiares e amigos.

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