Múltiplos olhares trazem diversidade do projeto

iG Minas Gerais | Vinícius Lacerda |

Alex Majoli capta sem-teto que dorme sob árvore em São Paulo
Alex Majoli / divulgação
Alex Majoli capta sem-teto que dorme sob árvore em São Paulo

Dois pontos acerca da concepção do projeto de cobertura fotográfica Offside Brazil, idealizado pela agência internacional de fotografia Magnum em parceria com o Instituto Moreira Salles (IMS), garantem sua heterogeneidade: a diversidade de pautas e os olhares dos fotógrafos envolvidos.

Funciona assim: cada um deles escolhe, dentro do objetivo de registrar a sociedade brasileira durante a Copa do Mundo, uma temática e faz registros diários que são enviados para publicação no site.

“É uma oportunidade única ter dez fotógrafos de formações e visões tão diferentes registrando o Brasil”, afirma o coordenador de fotografia contemporânea do IMS, Thyago Nogueira.

Ilustra a opinião de Thyago, por exemplo, o trabalho do fotógrafo Jonas Bendiksen, integrante da Magnum desde 2004. Em sua estadia aqui – ele retornou para Noruega nesta semana para se casar – registrou brasileiros utilizando a técnica de “slowmotion”, ou seja, no site o visitante verá fotos as quais os objetos retratados se movimentam lentamente. “Por meio de uma visão antropológica, ele conseguiu mostrar a emoção genuína do povo a partir de momentos alegres e também dos problemas”, analisa Rafael Vilela, representante, no Offside Brasil, do Mídia Ninja, conhecido pela intensa cobertura que faz das manifestações.

A brasileira Barbara Wagner, por sua vez, está em Recife tirando fotos de um festival da igreja evangélica. Radicada em Berlim, ela apresenta extenso trabalho voltado para a representação do “corpo popular”, suas manifestações históricas e estratégias de visibilidade dentro da indústria cultural.

O coletivo Granada dedica-se, por outro lado, a registrar cenários usuais de periferias brasileiras e as une em montagens compostas de três imagens que dialogam entre si.

Para Pio Figueiroa, participante do Offside Brazil, um dos maiores desafios tem sido a intensa rotina de documentação diária que, ao mesmo tempo, é o que o impulsiona. “Ainda não mensuro a importância de participar do projeto do ponto de vista macro, mas internamente sinto que o intenso ritmo de trabalho tem sido um ótimo exercício”, comenta o fotógrafo, que tem acompanhado uma policial que trabalha na perícia de crimes na capital paulista.

Figueiroa aproveita para elogiar o trabalho de outro componente do grupo: o italiano Alex Majoli. “Eu gosto muito da abordagem que ele deu para as manifestações. Ele tem um poder de síntese a partir de um distanciamento que faz com que aquilo se torne universal”, pontua.

Esta semana, Majoli retornou para Londres e encerrou sua participação no projeto. Para suprir a ausência dele e de Bendiksen, desembarcaram no país Susan Meiselas e David Alan Harvey. Ambos estão no Rio de Janeiro.

O Offside Brazil, que aponta ser apenas o primeiro capítulo de projetos similares da agência, segue até o último dia da Copa do Mundo. Depois disso, não há nada ainda confirmado oficialmente, apenas rumores. “Existe uma proposta de fazer um exposição e também um apontamento para um livro, mas nada disso ainda é certo”, adianta Figueiroa.

Magnum

Iniciada em 1947, a cooperativa de fotógrafos francesa é referência mundial em fotojornalismo e fornece imagens para imprensa, televisão, galerias e museus de todo o mundo. Mais informações em www.magnumphotos.com.

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