Um ser bem habitado

iG Minas Gerais |

“Comecei a assistir aos jogos do Brasil e pouco a pouco me fui dando conta de mil fatos: a organização, os estádios”
Marcela Frattezi / PNC
“Comecei a assistir aos jogos do Brasil e pouco a pouco me fui dando conta de mil fatos: a organização, os estádios”

Hoje, desenhando as palavras, o aristocrata e dândi João Alberto de Azevedo Miranda Menezes, nosso incontornável amigo John-John, companheiro de copos e boa conversa. Um grande artista, um pensador, um filósofo, um pândego. De Copa do Mundo às belas artes, passando por política, “le voilà”!

John-John, sabemos que você não é muito chegado em futebol, mas está gostando da Copa do Mundo?

Comecei muito incautamente a perceber o alarido se formando. Mansamente passei a assistir aos jogos do Brasil e pouco e pouco me fui dando conta de mil fatos: a organização, os estádios, os estrangeiros. Futebol te daria inspiração para as joias que você desenha, para seus desenhos ou outras belas artes? O que te inspira?

Não sei. Podia responder “o que me move!”. Pífia resposta! Desde que comecei a participar de jogos, a permitir arroubos apaixonados, passei a fazer imagens mentais para desenhos e joias também! Você é um habitué da febre Facebook...

“Encontrei Jesus” com a Coca-cola, o cigarro e também hei de tomar jeito com esse vício, mas a verdade é que é uma boa vitrine. Os artistas que você posta são teus mestres?

Posto sim imagens, discursos que gosto. Picasso dizia que não procurava, que encontrava! Marguerite Yourcenar apontava para ser o nosso verdadeiro lugar de nascimento aquele onde pela primeira vez colocávamos um olhar crítico sobre nós mesmos. Você estudou onde?

Sou semiautodidata. Minha mãe era aluna de Guignard. Cresci com o cheiro de tinta a óleo e terebintina na casa. Depois, frequentei o curso livre da Escola Guignard, ali descobri que não poderia aprender a desenhar o clássico desenho de observação e tratei de não aprender essas técnicas. Beleza para mim é ordem e pertinência. Você era muito amigo da “amiga da Cultura” Anita Uxa. Como divulgar a cultura e arte no Brasil?

Sim, continuo amigo de Anitinha mesmo depois de ela ter se mudado para o andar de cima! Com ela veio às claras o que intuía: que não existem culturas por decreto. Aprendi com ela que ser outro (o aperceber- se do outro) resume-se nisso: não ser desertado. Nem possuído, mas exatamente o que se chama “ser habitado”! Como anda tua produção? Planos para exposição ou publicação?

Muito acanhada, entre a prancheta e a gaveta, mas viva! Nenhum convite para produzir um livro, que seria bem-vindo. Nos planos, uma exposição em Uberlândia com a também artista Vânia Vilela. Estamos melhorando o blog que trata de divulgar a produção de joias de autor e das esculturas de recorte em chapas de metal. O blog é o joaoalbertoazevedo.wordpress.com. Qual tua técnica favorita ultimamente? Aquarela, desenho...

A singeleza e exiguidade de um papel branco e um lápis preto! Pra terminar, você que adora viajar, gostaria de voltar a que país? Itália?

Sim, Itália! Andar de novo e outra vez e não mais sentir-me só; a intimidade fatal das coisas!

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