Fica, Orkut!

iG Minas Gerais |

acir galvao
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No começo desta semana, o Google decretou oficialmente o fim do Orkut. Pra quem não sabe ou não lembra, o Orkut é aquela rede social azulzinha, que surgiu mais ou menos na época do Facebook, mas que inicialmente conquistou muito mais adeptos no Brasil do que seu concorrente que usamos até hoje. Era nele que ficavam aquelas comunidades engraçadas como “Sou legal, não estou te dando mole” e as clássicas “Eu odeio acordar cedo” e “Eu amo a minha mãe”. Porém, aos poucos, o Orkut foi perdendo a popularidade e já há bastante tempo estava “em coma”, como se estivesse vivendo à base de aparelhos. O Google apenas resolveu que era hora de desligar e tirá-lo do ar. Seria simples se tanta história não tivesse acontecido ali. Logo que o anúncio do fim foi divulgado, várias pessoas reclamaram e inclusive uma petição foi criada para que o Orkut permanecesse como está: Uma espécie de banco de dados ou de museu, onde podemos visitar de vez em quando e matar a saudade de recados, fotos e pessoas que ficaram no passado. E foi exatamente visitando meu Orkut esta semana que me lembrei de duas situações que vivi nessa rede social e que, de certa forma, mudaram a minha vida. A primeira é sobre “Fazendo Meu Filme”, meu primeiro romance. Logo que lancei o livro, em 2008, usei e abusei do Orkut para divulgá-lo. Fiz propaganda intensivamente em várias comunidades sobre livros e aos poucos ele foi pegando. Não sei se no Facebook essa divulgação teria tido tanta força. Os fóruns das comunidades do Orkut eram muito ativos, os tópicos permaneciam em destaque e não eram efêmeros como os do Facebook, que vão sendo substituídos por outros, até serem esquecidos. Mas o fato é que graças aos comentários dos leitores nessas comunidades, meu livro foi sendo cada vez mais divulgado e ficando conhecido. A primeira edição foi toda vendida por causa desse boca a boca virtual, e se eu tenho que agradecer a “alguém” (ou algo), é ao Orkut. E a partir disso eu pude realizar o meu sonho de ser escritora em tempo integral. O segundo caso interessante que aconteceu comigo no Orkut foi na época em que eu ainda estava paquerando o meu noivo... Eu tinha escrito um texto especialmente para ele em um site de crônicas onde eu era colunista e o tal texto continha tudo que eu queria dizer (mas não tinha coragem). Eu queria que ele lesse, mas também não queria simplesmente mostrar... E então eu coloquei minha “fake” em ação. Explicando: No Orkut todo mundo tinha um (ou vários) fake. Era tipo um “dublê”, uma conta que você criava com um nome e uma foto falsa, para poder dizer ou fazer coisas que você não queria ou não podia, como se fosse outra pessoa. Pois bem. Pelo perfil dessa minha fake, mandei um scrap (quem se lembra dos scraps?) para mim mesma, dizendo: “Adorei sua crônica de hoje, toda apaixonada...” e aí na sequencia fui no perfil do meu paquera e perguntei qualquer coisa, só pra ele ter que ir no meu perfil para me responder e ver o recado da tal “menina”. Deu certo! Ele ficou curioso e procurou a tal crônica para ler. E assim soube que tudo que estava ali era o que eu sentia. Pouco depois ele me pediu em namoro e estamos juntos até hoje, oito anos depois. Como vocês podem ver, o Orkut mudou a minha vida sentimental e profissional! Por isso, realmente fiquei triste com o anúncio do fim dele e até assinei a tal petição implorando para mantê-lo no ar. Mesmo que tenha se tornado obsoleto e que quase ninguém usasse mais, era bom saber que o Orkut estava ali, ao alcance dos meus dedos a cada vez que eu quisesse digitar www.orkut.com. Era como um daqueles lugares que lembram algo do nosso passado e um certo dia, ao acordar meio nostálgicos, resolvemos ir lá dar uma olhadinha... Daqui pra frente, o Orkut vai ser como se fosse uma daquelas pracinhas da infância onde construíram shoppings ou aquela casa onde você morava e que foi vendida para fazerem um arranha-céu. Mas pelo menos na nossa lembrança, ele vai continuar. E que me desculpem os fãs do Facebook, eu pelo menos vou me lembrar do Orkut como a rede social mais legal que já existiu. Se você não concorda, sinto muito... No donut for you.

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