Um jazz moderno e versátil

Cantor carioca mostra álbum de estreia, “Just In Time”, com releituras contemporâneas de clássicos jazzísticos

iG Minas Gerais | LUCAS SIMÕES |

Show. João Senise se apresenta ao lado do arranjador Gilson Peranzzetta e do baixista Zeca Assumpção
Cristaynne Cabral
Show. João Senise se apresenta ao lado do arranjador Gilson Peranzzetta e do baixista Zeca Assumpção

Desde pequeno, o músico carioca João Senise, 25, se acostumou a ouvir na vitrola de casa Frank Sinatra, Ella Fitzgerald, Miles Davis e Chet Baker. As influências do pai, o saxofonista e flautista Muro Senise, e da mãe, a produtora musical Eliana Fonseca Peranzzetta, desaguam agora no disco de estreia do cantor, “Just In Time”, que ele apresenta neste domingo, às 11h, em show inédito no Museu de Arte da Pampulha (MAP), como parte do projeto Domingo no Museu.

Em um apanhado de 14 canções, João Senise mergulha em clássicos do jazz, mostrando uma voz forte e bem afinada sobre os arranjos de cordas e piano do Gilson Peranzzetta, tio e principal padrinho do músico carioca, que foi interpretado por nomes como Djavan, Edu Lobo, Nana Caymmi e Sara Vaughn. “Como no meu repertório tem clássicos do jazz da década de 30, a exemplo de ‘All of Me’, até coisas dos anos 80, os arranjos foram todos feitos para modernizar as canções, independente da temporalidade delas”, diz.

Assim, “Feeling Good”, imortalizada na voz de Nina Simone, ganha um arranjo simples de cordas e piano, ao mesmo tempo em que “That Old Feeling” vem em cadência de bossa nova. Porém, a maior surpresa do álbum é “Tears in Heaven”, clássico de Eric Clapton, que abdica da guitarra para acompanhar a voz de João Senise apenas com um piano jazzístico.

O disco “Just In Time” ainda tem as participações de Ivan Lins (“uma das minhas maiores referências de harmonia, canto e composição”), que empresta sua voz em “Love Dance”, além de Zé Luiz Mazzioti, que divide os vocais com João Senise na única canção em português do álbum, “Sorriso de Luz”, de Gilson Peranzzetta e Nelson Wellington. A cantora Sofia Vaz encerra as parcerias na bucólica “Let’s Call The Whole Thing Off”.

Para o show em Belo Horizonte, João Senise vai se apresentar em trio, ao lado de Gilson Peranzzetta no piano e Zeca Assumpção no baixo acústico, sem apoio da Orquestra de Cordas, regida por Hugo Pilger nas gravações do álbum. “Vamos fazer em um formato intimista porque levar orquestra dá muito trabalho. Mas na forma de trio, conseguimos mostrar a alma das canções também”, avalia.

OUTROS PROJETOS. Além de um disco autoral com repertório dividido entre jazz e bossa-nova, o jovem cantor deve lançar até o fim do ano o álbum “João Senise canta Ivan Lins” (nome provisório), que vai reunir de 12 a 14 releituras do compositor mais conhecidas do público, como “Abre Alas” e “Lembra de Mim”, além das canções Lado B, como “Virá” e “Setembro”.

Agenda

O QUÊ. Show de João Senise

ONDE. Museu de Arte da Pampulha (avenida Otacílio Negrão de Lima, 16.585)

QUANDO. Neste domingo, às 11h

QUANTO. R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia-entrada)

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