A Copa da música

Com início em BH, festival “Vozes do Brasil” promove cinco noites de encontros

iG Minas Gerais | Giselle Ferreira |

Anelis Assumpção e Zélia Duncan tocam juntas repertório de Itamar Assumpção, na sexta, 11
Ana Turra
Anelis Assumpção e Zélia Duncan tocam juntas repertório de Itamar Assumpção, na sexta, 11
Só quando começou a trabalhar na rádio Cultura AM de São Paulo é que a jornalista Patrícia Palumbo descobriu que as músicas que sua mãe cantava lavando louças eram todas clássicos absolutos do cancioneiro popular brasileiro. “Eu achava que ela tinha inventado ‘Chiquita Bacana’”, conta, sobre a marchinha de João de Barro, o Braguinha, e Alberto Ribeiro.    O programa “Vozes do Brasil”, que ela apresenta há 15 anos, surgiu para concorrer com a “Voz do Brasil”, na faixa das 19h, e sempre privilegiou a música brasileira que Patrícia cresceu ouvindo. Desde então, a atração se firmou de vez como testemunha e divulgadora da chamada MPB ao longo dessa década e meia no ar.   Hoje o programa é reproduzido em inúmeras emissoras de rádio pelo país, já ganhou documentário, teve suas entrevistas registradas em dois livros e já promoveu inúmeros encontros e shows – o maior deles acontece a partir da próxima terça (8) no Oi Futuro Klauss Vianna, em Belo Horizonte, seguindo o caminho que o programa de Patrícia trilhou: a primeira rádio a transmitir o “Vozes do Brasil” fora de São Paulo foi a Inconfidência FM.“Acho que no festival teremos um panorama interessantíssimo da música pop e autoral no Brasil. Marina Lima foi uma das primeiras compositoras a se jogar no pop e no rock. Depois a Zélia Duncan e o Paulinho Moska foram dois da turma de corajosos que jogava sem time, sem bandeira, tudo misturado. Naquele momento se contava no dedo quem fazia isso: Marisa Monte, Adriana Calcanhotto, Cássia Eller, Lenine. Agora vemos a diversidade estabelecida. Tudo o que acontece agora é sem fronteira. Cada um tem jeitos próprios de traduzir, mas é a diversidade que une essa geração. O caminho foi aberto por alguns e os que estão aí tomaram isso com propriedade”, conta Patrícia sobre o modo como as parcerias foram estabelecidas entre influência e influenciado. Ou, quando o caso é de contemporâneos, por afinidade. “Marina Machado e Marcelo Jeneci não se conhecem, mas fizeram trabalhos afinados. Ela lançou “Quieto um Pouco” e ele “De Graça” – ambos estão dizendo que está na hora de a gente se comunicar mais verdadeiramente”, conta Patrícia.    Elas   Zélia Duncan, que sempre incluía em seus discos uma ou outra música de Itamar Assumpção, lançou “Tudo Esclarecido” (2012), com repertório do compositor paulistano. Com ela sobe ao palco a filha dele, Anelis Assumpção, para reverenciar o elo que as une. “Juntas vamos cantar Itamar”, conta Anelis, que está prestes a tirar do forno seu segundo disco, “Amigos Imaginários”, que julga mais maduro que o debut. “Agora entendi melhor a minha musicalidade. O primeiro ainda era uma busca, uma afirmação. Acho que este novo está um pouco mais firme e concentrado”, diz.   Marina Lima, que faz o show de encerramento ao lado de Karina Buhr, destaca que o roteiro do show gira em torno de seu novo espetáculo, “No Osso” e dá revela os encontros que gostaria de assistir: “Se eu pudesse, Ana Cañas com Flávio Renegado e Anelis com Zélia eu veria com certeza”.   Vozes do Brasil   Oi Futuro Klauss Vianna (av. Afonso Pena, 4.001, Mangabeiras, 3222-3242). De 8 a 12 de julho, às 21h. Gratuito, com distribuição de ingressos 1h antes.

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